Ainda não havíamos colocado nenhum passo a passo de moscas no blog. Para iniciar essa etapa resolvemos montar um desta mosca muito utilizada em Goiás para a pescaria do Tucunaré: o Streamer.
Material Utilizado:
-Seel Fiber Adams Gray;
-EP Fiber Polar White;
-EP Sparkle Holographic Silver;
-Saltwater Flashabou Pearl;
-Mirage Accent Opal (um tipo de Kristal Flash);
- Anzol Chinu Marine Sports #9;
-Fio de atado Danville Monofilament Fine;
-Olhos 3D 6mm.
Prenda o anzol na morsa e observe-o. Irá perceber que ele é torto! Particularmente, gosto de deixar a haste alinhada com a fisga (ponta) do anzol. Esse procedimento pode ser feito com o auxílio de dois alicates – não gosto de fazê-lo na morsa pois necessitará de muita força.
Após alinhar o anzol, prenda-o novamente na morsa e ate 3 fibras de Mirage Accent Opal, dobradas ao meio, de modo que fiquem com aproximadamente 7 cm de comprimento. Essa será a maior parte da extensão do corpo da mosca!
Ate agora, no dorso do anzol, um pequeno tufo de Seel Fiber. Note que todos os materiais são atados à metade da extensão do pedaço a ser utilizado e em seguida dobrados para trás.
Atando também pelo meio ate o EP fiber, inclinado, em uma das laterais. Dobre esse mesmo pedaço para atar a outra lateral.
Pegue alguns fiapos de EP Sparkle e ate sobre o Seel fiber.
Repita essa as sequências descritas acima progredindo em direção ao olho do anzol. Quando restar 1/3 do comprimento da haste para atingi-lo, pare o processo.
Perceba que pelas laterais da haste do anzol pode-se ver as camadas da progressão do atado. Deve-se cobrir isso com EP Fiber. Dessa sorte, corte dois pequenos tufos de EP (2cm de comprimento) e ate-os pelo meio, um em cada lateral, dobrando-os para trás em seguida.
Ate agora duas tirinhas de Slatwater flashabou. Gosto de trabalhar com pedaços de 3 cm de comprimento. Pedaços longos fazem muito barulho durante o arremesso!
Dê o nó de arremate; retire a mosca da morsa; penteie-a com uma escova de dentes e corte-a com uma tesoura para obter o formato que lhe agrada.
Feito isso, cole os olhos 3D com epoxi. Gosto de cola-los em cima do fio de atado do arremate da mosca. Desse modo a camada de epoxi também ajudará a proteger o fio e servirá como Head Cement.
Retire a farpa do anzol (é bem mais facil retirar antes de iniciar o atado) e vá pescar!
No próximo passo a passo trabalharemos com moscas que fazem sucesso com as pirapitingas.
Há algum tempo, alguns amantes do vadeio vem expressando o desejo de visitar o cerrado goiano e conhecer nossas belezas protegidas. Poucos pescadores sabem que, no Brasil, um dos melhores pesqueiros para a prática desse estilo de pesca com mosca, encontra-se cravado no solo goiano.
No último fim de semana do mês de março, tivemos uma surpresa agradável: grande parte da equipe GO FLY foi anfitriã dos amigos Kid e Kensuke. Cercado pelo mais puro cerrado, esse encontro marcou para sempre a vida de todos os participantes, estacados pelos mais nobres sentimentos mosqueiros: a amizade e o abraço caloroso à natureza.
Kid e Kensuke
Eu, Herik, Vitão, Rafa e o experiente Alencar chegamos a Piri na noite de sexta-feira (26/03/2010), lá recebendo o amigo KID. Kensuke chegaria apenas no outro dia cedo (sábado). Fomos ao centro histórico da cidade das pedras para confraternizar, apreciar um aperitivo e jantar. Após o bom papo e muitas risadas traçamos a estratégia de vadeio do dia seguinte. Pelas condições de chuva, em plena enchente de São José, as cabeceiras de rio protegidas por colinas rochosas permanece mais limpas, mesmo com as chuvas, permitindo, assim, o vadeio.
A noite foi de muita garoa e o dia amanheceu com muita neblina. Apesar do clima, o entusiasmo dos mosqueiros era total. Herik, Vitão, Rafa e Alencar partiriam às 6:00 hs para tentar as pirapitingas e lambaris exóticos. Enquanto isso, eu e o KID aguardávamos a chegada do amigo Kensuke às 9:20 hs para só então irmos pescar. Quando encontramos Kensuke, minha mochila já estava abastecida com nossas refeições do dia.
Foi muito bom conhecer o amigo Kensuke e ver a sua disposição, vindo de tão longe (Rio de Janeiro) para conhecer a equipe GO FLY e o vadeio pelas áreas de instalação do Projeto Pirapitinga-do-Sul.
Partimos direto para o rio para tentar algumas pirapitingas. Pesquei com equipo 3, enquanto Kid e Kensuke usavam 2 e 4, respectivamente. Utilizei um leader cônico montado de 9’ de comprimento, com tippet 0,20 mm de composição mista (fluocarbon/nylon).
Mesmo não sendo o preferível, acabamos optando por descer o rio, já que o rio estava um pouco cheio e veloz, o que dificultaria o upstream, uma fez que a correnteza é bem forte e suas margens quase não permitem a caminhada.
Logo nos primeiros passos uma pequena pirapitinga deu as caras na minha Royal Wulff. Isso foi um bom sinal para saber que a desova de dezembro foi efetiva e as jovens pirapitingas estão espertas e sadias.
Pirapitinga de aproximadamente 100 dias
Ainda pela manhã o amigo Kid teve uma grande luta com uma boa pirapitinga. Mesmo conhecendo a força dos grandes peixes, como o tucunaré, o tarpon e o dourado, Kid se rendeu a magia da pirapitinga, aflorando gritos e vibrações que contagiou os colegas. Enquanto Kensuke filmava toda a cena, corri com meu net para apanhar a pirapitinga. Depois de tomar um drible daquele Brycon, encestei a danada. Após abraços e comemorações percebemos que a pirapitinga não estava mais no puçá, pois havia escapado por um furo em sua rede. Foi um baque total da equipe, me senti triste e responsável por aquela perda, pois nem mesmo pude fotografar a linda pirapitinga ao lado do amigo Kid que fazia sua estréia com aquela espécie. Ainda bem que Kid e kensuke me confortaram com a frase “caugth and released”.
Kid e pirapitinga em ação
Depois de superar a frustração da perda continuamos o vadeio e logo abaixo a vara de bambu #4 (by Beto Saldanha) do amigo Kensuke vergou inteira na batalha com uma bela pirapitinga. Devidamente fotografada e apreciada, a danada voltou para água com muita saúde.
Brincamos um pouco com os “lambaris enferrujados” que atacavam ferozmente nossas dry flies (anzol 16-18). Já com o sol alto as ações das pirapitingas desapareceram, mesmo com boas apresentações e constantes trocas das moscas. Só no fim de tarde que fisguei mais uma pirapitinga.
A paisagem estonteante e a observação dos insetos aquáticos e terrestres nos distraíram e recompensaram a falta de ações.
Passamos pelo encontro com o rio São João, cercados por belas montanhas e cânions escorregadios. Ao final do dia ainda pegamos uma forte e passageira chuva, mas logo depois o sol incandesceu.
Foram 6 km de caminhada em pedras energizadas pelo espírito aventureiro dos mosqueiros.
Hellgramite, ninfa da Dobsonfly.
Mina d'água
Após o término do primeiro dia de pescaria, retornamos à casa em Piri e encontramos o outro grupo de mosqueiros felizes da vida, satisfeitos, com mais de 30 lambaris-largos (Astyanax elachyleps) capturados. A alegria já era de se esperar, pois o “Largo” não é qualquer lambari, é simplesmente o maior dos lambaris. O largo é robusto, forte, ataca muito bem as moscas secas, proporcionando uma boa briga com equipamento levíssimo.
Depois do jantar, muito papo de mosqueiro e histórias fabulosas! Os amigos Kid e Kensuke demonstraram muito conhecimento técnico e nos contaram um pouco de suas experiências vividas, o que contribuiu para o aprendizado de todos. E como sempre o Alencar zoando com todos da turma. Não perdoou ninguém. Apesar dos seus anos de experiência, parece que ainda é um menino! O Rafa, pra acalmar o seu vício, ainda atou algumas ninfas antes de dormir.
A noite chuvosa não desanimou os mosqueiros. Eu, Kid e Vitão fizemos novamente o mesmo percurso do dia anterior, enquanto Kensuke fora guiado pelo grupo do Rafa, Herik e Alencar em outro trecho mais curto, abaixo do nosso.
Ao chegar vimos que o rio havia subido e que sua água estava ainda mais escura. Como era de se esperar as ações foram mínimas, apenas o Vitão – também debutante na pescaria da pirapitinga – brigou com um exemplar no poço da cachoeira Araras, mas foi perdida. Neste tipo de pesca, o peixe sempre está na vantagem.
Mesmo sem peixes na linha descemos o rio casteando e afinando nossa técnica. Histórias incríveis foram criadas, até a lenda do “Pirinopanda” foi inventada. Essa eu vou deixar para o Vitão e Kid contarem.
Quando voltamos pra casa, Kensuke já havia partido de Piri. Rafa nos contou que o nosso convidado ficara muito satisfeito com a captura de uma boa pirapitinga e com os vários lambaris: largos; saltadores (Bryconops caudomaculatus) e de ferrão (Jupiaba apenima). Todos estes com mosca seca. Sem falar que ainda lutou com duas boas pirapitingas que quebraram seu tippet.
Usando todas as suas artimanhas de anos de vadeio, Kensuke se mostrou muito inteligente ao saber utilizar técnicas variadas apropriadas para cada ocasião específica, como o lastreio do tippet em locais profundos e turbulentos. Vimos, mais uma vez, o quanto a pirapitinga gosta da água “brava”.
Rafa também foi presenteado com uma boa pirapitinga:
Herik e Alencar também vergaram suas varas leves com os lambaris-largos. Como diria o amigo Rafa: “foi cada lambari-largo de encher a mão!”.
KID Ocelos e Kensuke Matsumoto serão para sempre lembrados pela equipe GO FLY. Com simplicidade, carisma e técnica deixaram sua marca em nosso paraíso preservado. Foram companhias agradabilíssimas e enfrentaram muito bem o desafio de capturar a pirapitinga no cerradão goiano em plena enchente de São José.
Todos estão de parabéns pelo coleguismo e pela sincera amizade que pudemos compartilhar!
Até a próxima caminhada
GO FLY !!!
Dica técnica para montagem do líder:
A linha de fluocarbon “pura” reduz muito a sua resistência quando o seu diâmetro é muito baixo, por isso quando for utilizar linhas de fluocarbon < 0,30 mm, para confeccionar o líder, dê preferência por linhas de composição mista (fluocarbon/nylon), pois possuem boa resistência à tensão (nylon) e abrasão (fluocarbon), preservando também a “hidrotransparência” característica do fluocarbon. Uso a linha da marca ASSO, modelo ULTRA.
Foi com grande alegria e aproveitamento técnico-cultural que realizamos este encontro que superou nossas expectativas. Contando com vários amantes do flyfishing do estado de Goiás, este foi o mais volumoso encontro dos mosqueiros da equipe GO FLY, que a cada dia se fortalece e adquire mais integrante. Pescadores experientes como o amigo Alencar e outros recém iniciados na modalidade foram igualmente ouvidos e respeitados. Discussões sobre o hitórico do fly pelo mundo e a sua atual situação no Brasil foi muito interessante para compreendermos a filosofia dessa encantadora modalidade e para que não adquiramos uma mentalidade que agrida ou desperdice o potencial brasileiro para a pesca com mosca.
Pela manhã realizamos a clínica de atado, após, fizemos um laboratório na piscina, demonstrando como trabalhar bem um Popper, Clouser-minow e outros streamers. As características das linhas Floating (flutuantes) e Sinking (afundantes) também foram demonstradas, passando antes pelos principais nós utilizados na montagem de um líder.
Interrompidos por uma deliciosa picanha na brasa, trocamos experiências pessoais e todos fizeram suas colocações de forma democrática. Alguns falaram de suas preferências de equipamentos, peixes, nós, arremessos e moscas, outros dissertaram relatos de pescarias surpreendentes. Brindes foram distribuídos para todos os presentes.
Na parte da tarde foi realizada uma clínica de arremesso, com demonstrações úteis para iniciantes e veteranos da modalidade do fly. Em meio a tanta informação de qualidade, o dia passou rapidamente e no final da tarde ficou evidente o quanto esse encontro acrescentou a todos, seja para aprimorar técnicas, seja para “atar” nossa amizade e tornar o fly mais forte.
Mais detalhes sobre a estação de atado:
Iniciamos com uma mesa redonda de atado onde foi apresentadas moscas de grande eficiência para o flyfishing em nossa região, visando às principais estrelas do nosso cerrado: o Tucunaré e a pirapitinga do sul, peixes de comportamentos distintos e que exigem diferentes técnicas para sua captura. O tucunaré é nosso anfitrião dos lagos e represas, mais comumente pescado na pesca embarcada, enquanto a pirapitinga é nossa princesa das correntezas na pesca desembarcada. A gama de técnicas de arremessos e atado exigidos por esses dois peixes nos estimula a aperfeiçoar nossas estratégias de pesca, que se inicia na mesa de atado e termina com o peixe na mão, sendo devolvido à água. Entre esses dois acontecimentos um grande universo foi criado e tem se desenvolvido há séculos, entrelaçando relações saudáveis entre homem e natureza.
Para a pesca de vadeio em pequenos rios e riachos, Leandro Vitorino apresentou um passo a passo do atado do inseto adulto da Mayfly (fase terrestre), que também possui uma fase aquática e faz parte do cardápio alimentar de peixes insetívoros de pequeno e médio porte em vários lugares do mundo. Outras variações de atado dessa mosca também foram colocadas por outros colegas.
Outra excelente mosca para o vadeio apresentada por Rafael Pacheco foi a Hellgramite (fase aquática), ninfa da Formiga-Leão (fase terrestre), um inseto extremamente predador em seus dois ciclos de vida, presente em várias regiões do Brasil. Apesar da aparência bizarra é muito apreciada pelos peixes. O amigo Rafa se empenha em adaptar o atado dessa mosca a partir das técnicas de atado das consagradas “stonefly”, para aumentar o índice de captura em nossas pescarias, fazendo com que aumente ainda mais nossa ansiedade no aguardo pelo início da temporada de pirapitingas de 2010.
No estado de Goiás estão presentes três espécies nativas de tucunarés, o azul, o amarelo e o pitanga, colocados em ordem decrescente de tamanho, porém de crescente agressividade.
Os pescadores Cleiton (Nuclel) e Érick coordenaram brilhantemente o atado da Clouser-minow, uma das moscas que lideram o ranking da preferência nacional quando o assunto é tucunarés. Os mínimos detalhes dessa isca foram muito bem apresentados, deixando o seu atado ao alcance de qualquer mosqueiro, independente do seu nível de evolução técnica.
Em meio a essa proveitosa interatividade, posicionamos o estado de Goiás no cenário brasileiro de pesca com mosca.
Convidamos todos os mosqueiros do Brasil a participarem dos eventos da GO FLY que serão postados em nosso blog antecipadamente.