segunda-feira, 2 de agosto de 2010

GO FLY recebe visita de grandes mosqueiros da velha guarda


Não há como não se impressionar com a beleza de nosso cerrado e com seu poder de enfeitiçar os seres humanos. Acreditamos que os pequenos rios do estado de Goiás é um dos melhores destinos para a prática da pesca de vadeio no Brasil. Aqui, tudo parece conspirar a favor do mosqueiro, o clima agradável, os peixes insetívoros e a exótica aparência do cerrado preservado.

Por mais que conheçamos um trecho de rio, a cada dia ele se apresenta de forma diferente. Ele nunca é o mesmo. A cada curva, novas revelações e um novo aprendizado. Sua beleza é dinâmica; a cada estação uma nova pintura recobre sua paisagem. O esplendoroso luar, durante a forte estiagem, banha de prata as folhagens secas das árvores retorcidas, transmitindo um encantamento ímpar. Rochas que mais parecem ter sido empilhadas e lapidadas à mão, por uma força maior, ao agrado de nossos olhos, constroem montanhas onde drenam rios de água mineral. Rios, que por sua vez, serpenteiam o seu trajeto para ficarem mais tempo nas terras do paraíso.
Enio Alvarenga
                                                       Gilson Monroy
Foi com enorme prazer e envoltos de muita natureza que tivemos a honra de receber nossos amigos Enio Alvarenga, da cidade de São Paulo, e o casal Gilson Monroy e Eloisa, de Ribeirão Preto, para selar mais um capítulo de nossa caminhada em busca de conhecimento, paz, amor, natureza, amizade, serenidade e felicidade plena.

Como não poderia ser diferente, subimos mais um importante degrau na infinita curva de aprendizado da pesca com mosca. E mais do que isso, abraçamos e fisgamos novos bons espíritos em nossas águas.

A chegada de nossos convidados, na sexta feira do dia 23 de julho, deixou todos do grupo receptivos e inspirados à prática da pesca com mosca.

    Preparação para o vadeio de 6 km
    
 Na noite de sexta feira formamos uma roda de amizade recheada de um grande fluxo de informações técnicas e experiências de nossos visitantes vanguardistas. O papo foi tão agradável que entrou noite à dentro, o que nos fez perder o horário ideal para a pesca das pirapitingas-do-sul. Como estamos passando pelo inverno, período de inter temporada de pesca, o metabolismo baixo dos peixes reduziram significativamente o seu período de ação, que só estavam caçando até as nove horas do período matinal. Mas, na verdade, pouco importava, pois, o vadeio realizava uma higiene mental a todos os mosqueiros ali reunidos. Foram apenas seis ações naquela manhã, com apenas duas pirapitingas capturadas. Tive o prazer de capturar uma linda pirapitinga na estréia de minha vara número quatro, que fora presenteada pelos Rod makers Enio e Monroy.

                                 Loop perfeito, por Enio Alvarenga




                               Pirapitinga com "Pouca-família", anzol 10
Pude assistir de camarote um show de estratégia pirapitingueira do amigo Rafael Pacheco. Devidamente registrada por minha câmera, observei o Rafa se aproximar ajoelhado para o “ataque” do pesqueiro. O próximo passo do amigo foi subir em um cânion, espreitar o rio e pinchar seu grilo, recém atado por ele mesmo, próximo a um belo cardume. A boa apresentação e a descida realista daquela mosca seca na forte correnteza provocaram a subida e o ataque do mais elegante dos Brycons. Esta talentosa façanha mostrou porque a pirapitinga-do-sul é o grande desafio da pesca com mosca no Brasil. Rafael demonstrou, em poucos segundos, como deve ser as movimentações táticas de um bom pirapitingueiro.











O amigo Enio e Willian também receberam duas boas ações, cada um, mas infelizmente o anzol não se fixou na pequena boca da pirapitinga. E como esse Brycon não costuma dar uma segunda chance ao mosqueiro, subimos o rio à procura de mais ações. Mais tarde tivemos o visual de bons cardumes, mas que por razão do sol à pino não estavam ativos, mas valeu a experiência.


 Alguns movimentos do Spey casting foram ensinados pelo amigo Enio. Hérik, que vadeava em outro trecho do rio, lutou com bons lambaris-largos.


Voltamos para casa em Pirenópolis cansados e satisfeitos com as agradáveis companhias de vadeio.

Enio Alvarenga e Monroy abriram um painel de arremessos durante a tarde de sábado, ajustando a sintonia fina dos pinchos de nossos integrantes.


A noite, Enio liderou, com grande habilidade técnica, uma mesa de atado com moscas de pêlo e fibras sintéticas, que foram presenteadas aos nossos mosqueiros.



Mário nos mostrou sua magnífica caixa de poopers de sua autoria, atados com exímia perfeição.

Mário e Hérik, com toda sua simpatia, verbalizavam “pérolas” que arrancavam risadas intermináveis de toda a turma.

Mais uma vez, a boa conversa seqüestrou nossa noite de sono, mesmo sabendo que poderia comprometer nosso dia de pesca na manhã seguinte. No meio de tanta informação de qualidade, o peixe parecia estar mesmo em segundo plano.

No domingo cedo, alguns integrantes partiram para Goiânia para cumprir suas obrigações familiares, desfalcando nossa turma, deixando para trás boas energias.

Eu, Mario, Enio Monroy e Elô fomos visitar a fazenda do amigo Nirlen, um grande parceiro do Projeto Pirapitinga-do-sul, incentivador de nossos ideais e incansável defensor da natureza. Nirlen é um profundo conhecedor do cerrado e dos provérbios de seu povo, contando histórias que prendem a atenção de seus visitantes. Ele faz parte da terceira geração de sua família que protege suas reservas particulares totalmente preservadas com 100% do mais puro cerrado. Sua propriedade é um excelente ponto turístico de Pirenópolis, o “Balneário Praia Grande” fica à +- 30 km da cidade (saída pelo aeroporto). Sem contar que é o melhor ponto que conheço para a pesca do Lambari-largo (Astyanax elachylepis), o mais forte dos lambaris. Lá também é possível a captura da pirapitinga-do-sul, sendo uma reserva em que se pratica apenas o pesque e solte, conforme orientações do Projeto Pirapitinga-do-sul. Lá, possui uma ótima área de camping numa paradisíaca praia de areias brancas, com ambiente bem familiar onde é servida, pelo casal de proprietários, uma deliciosa culinária típica do sertanejo.


Fizemos o vadeio pelo rio Dois Irmãos praticando o flyfishing e o Tenkara. Esta última modalidade citada será mais bem descrita nos próximos relatos.

Água mineral potável

Enio, Monroy, Elô, Mário e eu desfrutamos de bons momentos às margens do rio.




E para fechar nossa tarde com uma agradável rotina do cerrado, um belo por do sol, que era tão deslumbrante que nem mesmo a lua resistiu em espiá-lo por trás das montanhas.


Capitulamos, assim, mais uma inesquecível página do nosso livro da amizade GO FLY.

Equipe GO FLY

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Nas águas do infinito

Esta narrativa poética representa o conjunto de sensações e sentimentos que moldam a vida do pescador esportivo, desde a sua infância, com a descoberta de sua paixão pela pesca, até a sua morte. É dedicado a todos aqueles que pescam com fly, ou não, e aos que acreditam em vida eterna ou que respeitam essa idéia, e que através dela nunca iremos parar de pescar. Preservar a natureza e amá-la é essencial para que possamos ser merecedores das águas do infinito!


Leandro C. Vitorino

Ribeirão Preto, 20 de setembro de 2008

Nas águas do infinito




O cheiro da relva

A pureza das águas

O murmúrio da mata

Abria-se numa infância

De mãos trêmulas e frágeis.

Da ignorância se fez a procura      

Na procura se deu o medo

Do medo, o espanto.

Do espanto se fez a busca

Na busca, o encanto.

Do encanto, a paixão

Na paixão atou-se o amor

Com amor fisgou-se a beleza.

A beleza, liberta pela compaixão.

De tanta vivência, a sapiência.

A experiência, um dia, se cansou.

A pele lisa se dobrou

O cheiro, não mais sentiu

O amor não o segurou.

Numa manhã chuvosa, tudo se apagou.

Na escuridão se viu um brilho

A luz se aproximou e o palpou

Reconhecendo seu honroso filho

Devolvendo-lhe o cheiro, a pureza e o murmúrio

Que nunca mais o deixou.



Leandro Carvalho Vitorino

domingo, 6 de junho de 2010

"POUCA-FAMÍLIA": mosca lastreada, equilibrada e muito eficiente.

           O “Pouca- Família”
Por Leandro Vitorino
    O atado dessa mosca me traz boas memórias. Até agora, a isca que obtive maior quantidade de ações e capturas de Pirapitingas-do-sul foi esta mosca. Posso dizer que essa é minha isca coringa....a matadeira. Super lastreada, hidrodinâmica, coloração atraente e chamativa sem perder o realismo da mosca.

    Pescar uma pirapitinga num local especial com uma mosca que você desenvolveu é bem prazeroso e vai muito além de simplesmente capturar o peixe. Este prazer está ao alcance de todos nós, basta imaginação, o que não falta a um pescador apaixonado pelo seu esporte.

    O nome “Pouca-família” (Short family) homenageia um marimbondo típico do cerrado que vive em pequenas colméias abertas com poucos indivíduos. Existe um “Pouca-família” grande (negro) e um pequeno, este último tem um tronco e cabeça amarelados e um abdome um pouco mais escuro.

    O passo a passo dessa mosca é transmitido de uma forma bem básica e fácil, ficando ao alcance de qualquer iniciante do atado.

    Vamos à mosca:

    Material:
1- Morsa Monroy Green, com mobilidade em vários eixos e com o Jaw com capacidade para pinçar firmemente anzol até #24, com garantia eterna segurada pelo fabricante (Obs: depois quero meu cachê amigo Gilson....HiHi....brincadeira);

2- Fio de atado entre 8/0 e 14/0, no caso utilizei o 8/0, mas um fio ainda mais fino seria melhor, lembrando que na numeração destes fios quanto maior o número mais fino ele será e mais bem acabada ficará sua mosca;

3- Anzol #10 Wet (para moscas molhadas/lastreadas);

4- Fio de chumbo (Lead wire 020);

5- Gold tinsel (x-strong);

6- Pena para Hackle número 16 ou 18 .

7- Scud back;

8- Chenille;

9- Kristal flash;

10- Goose biot;

11- Dubbing natural;

12- Golden Pheasant tippet section natural;

13- Cabeça de metal (Bead head);

Passos:

LASTREIO E CABEÇA:
    Passe a cabeça de metal (bead head) e leve-a até o olho do anzol, que será a própria cabeça da mosca. Fixe bem o anzol no Jaw da morsa e lastreie com fio de chumbo, deixando um espaço atrás para fazer a cauda e outro na frente, próximo à cabeça para finalizar a mosca;

CAUDA:
    Apare aproximadamente 12 fibras de faisão (Golden Pheasant tippet section natural) para a cauda. Prenda-a no anzol com a parte mais colorida voltada para cima. Detalhe: Deixe a cauda um pouco menor que o tamanho da haste do anzol;

    Dobre uma fibra de Kristal flash sobre ela mesma por várias vezes e prenda-a sobre a cauda de faisão de forma que ela fique com o comprimento da haste do anzol, ficando, assim, um pouco mais comprida que a cauda de faisão.

ABDOME:

    Prenda o Gold tinsel para futuramente fazer as costelas (rib) do abdome;


    Distribua o dubbing no fio de atado de forma cônica e enrole-o em espiral sobre o anzol. Detalhe: Repare que ele deu um formato cônico ao abdome da mosca, proporcionando uma maior veracidade;

    Enrole o gold tinsel em espiral sobre o dubbing, finalizando, desse modo, o abdome da mosca;

TÓRAX:
    Prenda o scud back que futuramente fará o dorso do tórax;

    Fixe uma pequena tira de chenille que também fará parte do dorso do tórax. Detalhe: A função do chenille aqui é proporcionar um maior arqueamento ao dorso da mosca, dando maior veracidade;

    Prenda a pena #16 para o hackle. O fato de usar uma pena 16 para um anzol 10 é porque o hackle com pena 10 dará maior volume a mosca, dando maior resistência na água, fazendo com que sua descida fique mais lenta. O hackle com pena menor deixará a mosca mais rápida ao afundar, pricipalmente na correnteza, só por isso, ok!;

    Ate uma tira de chenille com cor que contraste com o abdome;

    Enrole o chenille em espiral, prenda-o e apare o ecesso;

   Enrole a pena do hackle nas fendas espirais do chenille;

    Corte a parte superior do hackle para dar espaço ao dorso;


   
    Abaixe o chenille e prenda-o;

    Abaixe o scud back e prenda-o, você verá agora que a primeira tira de chenille atada gerou um arqueamento no dorso da mosca, dando um caráter mais realístico à mosca.

ASAS:

    Recorte um par de Goose biot. Prenda-as uma de cada vez às laterais do tórax de forma que fiquem inclinadas para cima.
        Dê o nó de arremate, corte o fio e finalize-a com cimento de atado ou cola super bonder.
    Resultado final:
    Essas foram as cores que obtive maior número de ações:

    Agora é só fazer o arremesso na cabeceira da correnteza ou no corredor de alimentação e aguardar o tranco seco da pirapitinga!!!!

NOVO: VARIAÇÃO NO TÓRAX DO "POUCA-FAMÍLIA":
     Com a intenção de termos um volume menor no tórax da mosca lastreada Pouca-família e melhorarmos sua aparência e sua hidrodinâmica fizemos uma alteração em seu tórax: Ao invés de usarmos o chenille na composição do tórax utilizamos três fibras de pena de pavão.
      Essa variação é simples: ao ivés de prendermos o chenille, prenderemos três fibras de pena de pavão, em seguida torça as penas de pavão sobre a linha de atado e sobre elas mesmas e então gire-as em espiral na composição do tórax.
      É só!
Obs: a tira de Chenille que fará o arqueamento no dorso do tórax continua, não sofre nenhuma alteração! A troca é do chenile que espiraliza o tórax apenas, ok! Os demais passos da receita também não se alteraram.
      O resultado final será esse:
 Resultado final da variação do "Pouca-família": troca do tórax de chenille por 3 tiras de pena de pavão.


BOA PESCARIA!