terça-feira, 24 de maio de 2011

Pessoal,
segue aí um poema da autoria do amigo Lucas Amaro, flyzeiro goiano que curte muito a natureza.
Parabens amigo!

                                                                                      Foto: Kensuke Matsumoto
                                     Sina de pescador

      A calma banha meus olhos, naquelas águas caudalosas à procura de um movimento, de um som, de um susto. Espreito cada pedacinho ao meu redor na esperança de um movimento, que irá despertar-me uma exaltação em meu corpo e em meu espírito.

      Cada dia, cada manhã nasce uma esperança, que toma minha alma de pescador, pescador aquele que vibra, que sente, que se emociona, aquele que registra, aquele que devolve.

      Ah! Como é bom, o movimento de minha mãe água em sintonia aos meus olhos de pescador, como é bom ouvir o movimento da frágil linha, batendo contra a força das águas, que invadem meu ser a cada toque em minha pele.

      Sei quem sou, sei para onde vou, sei de onde vim e sei o que devo fazer. Sou pescador, vou aonde as águas me levarem, vim do azul das nossas riquezas e devo agir em prol de minha mãe água.

      Sou pescador.
(Lucas Amaro Vieira)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Temporada 2011 de Pirapitingas na Bacia do Tocantins
                                          Wet Pouca família #10 em ação.

     Começamos mais uma temporada de pesca de Pirapitingas-do-sul com o pé direito. Este ano tivemos a expansão de nossas áreas de pesca de 1 rio para 6 rios, não é mesmo uma beleza!? Isso fez com que o Projeto Pirapitinga-do-sul tomasse novos horizontes, podendo fazer um diagnóstico mais nítido da real situação de ameaça dessa espécie tão esportiva para a pesca com mosca. Trilhamos novas águas, desvendando os entornos da Serra da Mesa, Serra dos Pireneus e Chapada dos Veadeiros. Todas essas aventuras serão postadas com exclusividade aqui em nosso blog para você, que nos acompanha, podendo vivenciar conosco essa conquista.


     Conseguimos dados mais fidedignos sobre a espécie, conseguimos o maior número de indivíduos já capturados e estudados desse Brycon. A montagem de gráficos, tabelas e marcações geográficas transparece todos os segredos dessa espécie tímida, arisca e sensível à ação humana.


     Temos a intenção de propagarmos nosso trabalho de conservação para mais três espécies nativas da bacia do Tocantins, que acreditamos estar mais ameaçados do que a própria Pirapitinga nessa bacia, são eles a Tubarana (conhecida no sudeste como Tabarana), o Pacú Penacho e o Trairão, todos eles pouco conhecidos e que correm sérios riscos de serem extintos antes mesmo de serem devidamente estudados. Em breve falaremos mais sobre esses peixes incríveis.


     Então, voltando para as Pirapitingas, postarei aqui uma de nossas diárias de vadeio, composta pelo Rafa (Pacheco), Renato, Hugo e eu.

                                          Renato, Rafael e Hugo

     Essa moscada ocorreu ainda em março, quando a enchente de São José começava a minguar. As águas altas e sujas impossibilitou nosso trajeto pelo rio, mas já foi o suficiente para mostrar que nosso rio ainda estava saudável e se recupera bem da “Dequada” que sofreu em setembro de 2010, que acarretou na morte de milhares de peixes.

Orquídea na beira de um rio do cerrado.Foto: Leandro Vitorino

Hugo com seu Lambari largo

                                                   Lambari-largo no Pouca família #12

     Eu e o Hugo tentamos seguir rio acima, pegando uma pequena área de ocorrência do lambari-largo que ainda dava vadeio. Pegamos dois lambas cada um, mas nas áreas de pirapitingas estava impossível de prosseguir.


     Com a outra dupla que vinha descendo o rio, Rafa e Renato, também não foi diferente e logo tiveram que retornar. O Rafa me passou no rádio que ele e o Renato haviam pegado suas pirapitingas, porém infelizmente não levavam máquina fotográfica para fazerem o registro. Eu e o Hugo tivemos que desistir da subida e retornar na trilha para o carro. Ao chegar lá, tive um palpite de um ponto que nunca foi bom mas que acreditava que as pirapitingas poderiam estar ali nessa época.



     Após alguns pinchos uma bitela persegue meu pequeno streamer, uma variação da Crazy Charlie, mas não morde. Como eu sei que as pirapitingas não aceitam muitos pinchos consecutivos no mesmo lugar e que poderiam estar seletivas para atacar, imediatamente resolvi apresentar minha matadeira “Pouca-família” e ela não negou seu pé quente: foi buscar o peixe lá no fundo. Não era a grandona, mas brigou bonito. Nesse mesmo instante o Rafa me chama no rádio e eu brinco com ele: “agora não posso falar, estou com uma pirapitinga na linha, hahaha...achei o ponto!”, então eles vieram ao nosso encontro.

     Hugo me ajudou com as fotos e encestou minha segunda pirapitinga, pega também no Pouca Família. Logo o Rafa tem outra pequena no seu grilo, mas tivemos que descansar o ponto e pegar rumo pra casa.







     Acompanhem nossos próximos relatos que estão repletos de grandes Pirapitingas em suas moradas paradisíacas. Num deles postaremos a visita de nosso amigo Kensuke Matsumoto do RJ.

Abraço a todos!

terça-feira, 12 de abril de 2011

FLYDIVING: esportividade e conhecimento dos ecossistemas aquáticos

Por: Leandro Vitorino



   Esse é um estilo que nasceu de forma despretensiosa, alimentado por um sonho de moleque, no qual desejava unir minhas duas maiores paixões: a pesca e o mergulho em apneia de observação. Sempre fui tão ligado a água que nem me lembro de quando não sabia nadar. Durante a infância, no Mato Grosso e Goiás, costumava ficar dentro d’água por horas e horas, dentro de córregos ou atolado em algum brejo por aí.



    No mês em que se celebra o dia mundial da água, nada mais apropriado do que apresentar esse estilo de pesca que faz com que o pescador interaja de forma plena ao ecossistema aquático: o FLYDIVING. Nosso clima tropical juntamente com a presença de vários rios de águas claras, torna-se um ambiente perfeito e convidativo para esta prática.
   O Flydiving exige do pescador-mergulhador o domínio de técnicas de mergulho, como os exercícios de apneia e aproximação aos peixes, além de conhecimento sobre a modalidade que se pretende utilizar para a pesca (baiting ou fly, por exemplo).

MATERIAIS UTILIZADOS:


   É necessário equipamentos de mergulho livre como máscara, snorkel, nadadeira, faca de segurança e roupa de neoprene, sendo que todos devem estar adequados ao ambiente que se esteja mergulhando.
   Os acessórios de pesca são transportados numa prancha de Body board que é presa a uma corda flutuante e conectados ao lastro de mergulho, sendo que esta corda poderá ter comprimento variável, de acordo com a profundidade que se mergulha. O lastro de chumbo que arrasta o conjunto pode se desprender facilmente da cintura e ainda serve como poita para a prancha.

   
     Varas mais longas facilitam o arremesso quando estamos com a água a nível da cintura ou do tórax. No fly recomenda-se varas acima de 9’ de comprimento, já no baiting, uma vara a partir de 5’8” estará adequada. Recomendo levar os dois equipamentos (bait e fly). Costumo usar linha flutuante no equipamento de fly para os ataques na superfície e utilizo o baiting para trabalhar iscas de fundo, como cranks e jigs. Dessa forma, posso curtir essas duas modalidades e trabalhar minhas iscas em profundidades diversas.
    As iscas devem estar preferencialmente contidas dentro de estojos impermeáveis que por sua vez deverá estar preso na prancha, assim como os demais acessórios como alicates e máquina fotográfica com caixa ou bolsa estanque.

DICAS BÁSICAS DE APNEIA:

1- Mantenha sempre um nado silencioso, evitando retirar os calcanhares da água durante as pernadas;

2- A hiperventilação deve ser evitada, pois transmite ao apneísta uma falsa sensação de boa oxigenação, podendo ser, portanto, perigosa;

3- Movimentos respiratórios amplos e lentos são os mais seguros durante a recuperação na superfície e também deve estar associado a um bom relaxamento mental e concentração na respiração;

4- Técnica: Antes da imersão faça de uma a duas expirações forçadas, no intuito de reduzir ao máximo o espaço morto dos pulmões, em seguida, faça uma respiração Pranayama, inspirando profundamente do abdome para o tórax, elevando-se os ombros em direção póstero-superior (para que se aumente o volume do ápice pulmonar) e, por fim, mergulhe;

5- Durante a imersão, faça uma penetração com o mínimo de ruído possível, chegando ao fundo de forma lenta, como se fosse uma folha caindo suavemente;

6- O tempo de apneia é um fator pessoal, sendo melhorado com o treinamento da apneia e tem como grande fator influenciador o estado emocional do atleta;

APROXIMAÇÃO AOS PEIXES:


  

     A melhor forma de aproximação à maioria dos peixes é a espera no fundo, pois os peixes se sentem mais ameaçados quando estamos acima de seu nível de profundidade. Ao imergir, tenha em mente que a iniciativa de aproximação deve partir do peixe e não do mergulhador. Não faça movimentos bruscos e evite olhar diretamente nos olhos do peixe. Evite o toque das nadadeiras em pedras e troncos submersos. Realizar a manobra de descompressão dos ouvidos próxima ao peixe também poderá espantá-lo.

A PESCA:


   
     O mergulho pode ser feito em várias profundidades, mais para se pescar o mergulhador deve direcionar-se a locais mais rasos e espraiados, o que permitirá os arremessos dentro d’água.



   
     Lembre-se que o mergulho não deve ser praticado sozinho, mesmo com um bom conhecimento do local. Em algumas situações um barco de apoio também se faz necessário. O praticante deve manter uma distância segura do outro colega para prestar socorro caso seja necessário, porém não tão perto para que não afugente os peixes do companheiro.





  
     Após contemplar e estudar o comportamento dos peixes afaste-se vagarosamente até um ponto de apoio, pegue seu equipamento de pesca na prancha e inicie os pinchos. Você poderá ser surpreendido por um belo peixe que você já havia observado antes no mergulho. É exatamente esse o objetivo desse estilo: interação total com o ambiente e satisfação máxima do pescador. A intenção não é buscar o aumento da produtividade da pesca, absolutamente, pois algumas vezes a presença do mergulhador poderá inibir o ataque do peixe à isca ou até mesmo afugentá-lo para bem longe. Outras vezes, a falta de uma estrutura próxima para nos apoiarmos também compromete os pinchos e como todo esporte, o flydiving também possui suas limitações. Portanto, se a preocupação do pescador for apenas com a produtividade das capturas, aconselho-o que permaneça embarcado.





Conhecimento, pesca esportiva e satisfação pessoal...

   
    O mergulho em apneia nos faz viajar no mundo subaquático, além disso, a localização e a observação dos peixes por si só já provoca uma enorme satisfação, independente das capturas. Enriquecida pela pesca esportiva, essa modalidade fascina e atrai o seu praticante para um amor eterno! Ela pode ser praticada para todas as espécies que sejam possíveis de capturar com equipamento de fly e ou baiting, desde pequenos lambaris até grandes tucunarés.

  
    A natureza tem sua própria energia, que é transmitida ao flydiver que possuir a sensibilidade de senti-la! Descobrir as várias formas de vida que habitam o meio aquático, desvendando a beleza viva que há dentro de cada uma delas, reforça nossa energia vital e faz com que entremos num equilíbrio harmônico com tudo que nos cerca.





   
    Além da localização dos cardumes, devemos identificar as principais presas naturais de nossos alvos presentes naquela área para utilizarmos a isca mais adequada possível. Mesmo não sendo um predador tão seletivo, o tucunaré apresenta um maior índice de ataques quando as iscas se aproximam em semelhança com suas presas naturais, aumentando assim, o número de capturas.


Alguns encontros fascinantes...




     Em algumas pescarias pude ter o prazer de mergulhar ao lado de grandes surubins, dourados e trairões, entre outros peixes incríveis. Pude filmar e fotografar enormes tucunarés azuis e amarelos em seus ninhos e outros passeando com seus filhotes. Aquela “nuvem” de filhotes, contendo milhares de peixinhos protegidos pelo imponente casal de “azulões”, é capaz de sensibilizar a alma de qualquer pescador. Neste caso, é importante que o pescador não lance suas iscas sobre os casais no ninho ou com filhotes, evitando que a captura comprometa o futuro de sua prole. Portanto, contente-se apenas com a linda cena que, com certeza, muitos gostariam de ter a oportunidade de assistir. Saiba que o protagonista da pescaria é o peixe e não o pescador. Com tamanho espetáculo da natureza somos meros coadjuvantes e sinta-se feliz por isso!





DICAS DE PRESERVAÇÃO:

   Se ocorrer a captura de um grande exemplar e seu parceiro estiver longe para fotografá-lo, você poderá transportá-lo em um viveiro preso a prancha até o momento do registro. Mas nunca deixe sua vaidade comprometer a integridade física do animal. Solte-o antes da foto caso necessário, de preferência o mais próximo possível do local da captura. A natureza agradece e, com certeza, ela te presenteará com novas oportunidades.
   Observar casais de tucunarés no seu ninho ou vigiando seus filhotes não é fácil, exigindo do mergulhador uma aproximação mais cautelosa. Além disso, a aproximação rápida ao ninho poderá espantar o casal e expor seus ovos aos predadores que estiverem próximos. Portanto, cuidado!

A ESSÊNCIA DO FLYDIVING:

   
    Aqui não é necessário ser o melhor apneísta, o “senhor” flyfisherman, tão pouco o “doutor” biólogo ou o melhor flytier. Essa é uma modalidade guiada pela sensibilidade e interpretação do meio-ambiente. O próprio flycasting e o baitcasting juntamente com os encantos do mergulho já conseguem gerar formidáveis emoções. O peixe passa a ser apenas mais uma conseqüência agradável.

   
    A sua essência não é composta de vaidade ou de sensacionalismo, apesar de tudo parecer incrível. A receita é possuir alguns requisitos técnicos e estar disposto a se entregar a mais perfeita criação divina: a natureza. A criatividade de cada pescador faz com que essa modalidade tome várias formas e destinos diferentes.

  
    Aos poucos a barreira do medo vai sendo superada e transformada em conhecimentos sublimes, que enriquecem a aura do pescador. O equilíbrio entre mente, corpo e natureza, nos leva a um estado de paz espiritual profundo e ao autoconhecimento, que nos faz sentir completamente serenos.

   
    Lembre-se: temos um país com condições climáticas perfeitas, com a mais diversificada fauna e flora subaquática do mundo. Por isso, acredito que experimentar esse esporte seja mais uma forma interessante de pescarmos e agregarmos novos conhecimentos.
    Curtam o Flydiving!

OBS: Esse conteúdo pode não representar a opinião global do GO FLY, portanto qualquer crítica ou sugestão deve ser direcionada apenas ao autor.