segunda-feira, 3 de junho de 2013

LAGO STROBEL - Patagônia Argentina


Texto: Eduardo Martinelli
Fotos: Eduardo Martinelli, guias Loop Camp Jurassic Lake

 Imperdível!! Esta é a melhor definição que consegui para uma pescaria no Lago Strobel, também chamado Lago Jurássico (fácil imaginar a razão do nome).
O ponto de partida para a viagem ao Lago é a cidade de El Calafate, na província de Santa Cruz, região sul da Argentina. Esta cidade se encontra a aproximadamente 80km do Parque Nacional dos Glaciares, onde pode ser visitado o Glaciar Perito Moreno, a maior geleira em extensão horizontal do mundo.

Glaciar Perito Moreno – Parede Frontal. Foto: Eduardo Martinelli

Glaciar Perito Moreno – Parede Frontal. Foto: Eduardo Martinelli

Glaciar Perito Moreno – Parede Sul. Foto: Eduardo Martinelli

Glaciar Perito Moreno – Parede sul e Frontal. Foto: Eduardo Martinelli
Durante a viagem de Calafate ao Lago Strobel, que dura aproximadamente 6:30 em camionetes 4x4, é comum avistar bandos de Guanacos, comuns na região. 

Comboio de Camionetes usadas na viagem, no meio da planície patagônica. Foto: Eduardo Martinelli

Guanacos da Patagônia. Foto: Eduardo Martinelli
Nesta minha segunda visita ao Strobel, contra todas as estatísticas, o vento passou a maior parte do tempo arriado. Tudo parado! Situação difícil de encontrar na Patagônia, onde o vento normalmente castiga bastante o pescador. E a ausência de vento deixa as trutas bastante arredias, dificultando sua captura. Para completar, o Rio Barrancoso, único rio que alimenta o Lago Strobel, estava muito seco.

Espelho d´água no Lago Strobel. Foto: Guias Loop Camp

Espelho d´água no Lago Strobel. Foto: Eduardo Martinelli

Espelho d´água no Lago Strobel. Foto: Guias Loop Camp 

As enormes trutas podiam ser avistadas a poucos metros, mas dificilmente estas atacavam nossas iscas. Foto: Eduardo Martinelli

Primeiro plano à direita – arbusto que deu o nome à cidade Calafate; Segundo plano – Rio Barrancoso; Terceiro plano – Lago Strobel. Foto: Eduardo Martinelli
Pescamos em quatro dias diferentes no Lodge de pesca: a partir das 16:00 do primeiro dia, seguidos de 2 dias completos de pesca, e no quarto dia até a hora do almoço. O Lodge fica a 200m do lago, facilitando muito a pesca, que pode ser feita, dependendo do mês da pescaria, desde as 7:00 até as 20:00. E cada um pode fazer sua pescaria como bem entender, sem comprometer a pescaria de nenhum outro pescador.
Logo no primeiro dia peguei a maior truta da minha vida, com peso entre os 9 e 10 kg. A isca usada foi uma wooly bugger chartreuse com anzol #8, em um conjunto #6. Uma briga magnífica, muitos saltos, com quase todo o backing sendo levado...

Truta com mais de 9kg capturada pelo autor. Foto: Guias Loop Camp

Outra bela truta capturada com uma Wooly Bugger chartreuse, anzol #8. Foto: Guias Loop Camp

Detalhe de truta arco-íris capturada com uma Wooly Bugger chartreuse, anzol #8. Foto: Eduardo Martinelli

A pesca no lago estava muito difícil, pois como não havia vento as trutas estavam muito seletivas e arredias. Mesmo assim todos pegaram seus troféus.

Plácido e uma bela truta arco-íris capturada no rio Barrancoso com equipamento #4. Foto: Eduardo Martinelli

Tião e a alegria de pegar mais um troféu no Lago Strobel. Foto: Guias Loop Camp

Emiliano e um dos seus troféus. Foto: Guias Loop Camp

Marcelo e um belo exemplar. Foto: Guias Loop Camp

 Marcelo e outra bela truta patagônica. Foto: Guias Loop Camp

Plácido e um troféu de 11kg! Foto: Guias Loop Camp

Alejandro mostra uma das belas trutas capturadas. Foto: Guias Loop Camp

Tião e outro belo exemplar. Foto: Guias Loop Camp
Gosto de acordar antes do nascer do sol, para aproveitar o que, para mim, é o melhor momento de pesca no Lago: desde a hora que o dia começa a clarear até a hora que o sol nasce. Neste período as trutas já estão ativas porém menos arredias. Nestes períodos, em todas as três manhãs, tive brigas memoráveis.

Nascer do dia no Lago Strobel. Foto: Eduardo Martinelli
 
Bela truta arco-íris capturada com o dia clareando, com um BlackNose Dace chartreuse. Foto: Eduardo Martinelli

Como a pesca no lago estava complicada, durante as horas mais claras dos três últimos dias pesquei mais no Rio Barrancoso. Apesar de seco, este rio tem uma característica muito especial: é cheio de trutas, pequenas e grandes. A pesca no rio pode ser feita com moscas secas e molhadas. Todas são muito eficazes e nos renderam momentos magníficos. A maioria das trutas eram pequenas, mas volta e meia pegávamos trutas com tamanho considerável. A maior tinha em torno de 8kg!
Rio Barrancoso em primeiro plano e Lago Strobel ao fundo. Foto: Eduardo Martinelli
  
Pequena arco-íris capturada no Rio Barrancoso com uma Elk Hair Caddis. Foto: Eduardo Martinelli


Truta bastante colorida capturada no Rio Barrancoso. Foto: Eduardo Martinelli

Nem sempre as trutas capturadas no Rio Barrancoso eram pequenas... Foto: Eduardo Martinelli


Outra grande truta do Barrancoso. Foto: Eduardo Martinelli

Linda truta capturada com uma Stimulator em anzol #8. Foto: Eduardo Martinelli

Nos finais de dia sempre voltava para o Lago, arriscando as grandes trutas depois do por do sol. Mais belas capturas feitas.
As iscas usadas foram as mais diversas, atadas em anzóis entre #6 e #12. Dentre as mais produtivas ficaram: moscas molhadas – Wooly Bugger de cores cítricas, Black Nose Dace misturando cores cítricas com neutras; moscas secas: Parachute, Adams, Stimulator, Green Machine e iscas simulando ovos de truta – laranjas.

Os equipamentos variaram entre o #4 e o #8. Os menores usados no rio Barrancoso e os maiores no Lago. Líderes cônicos com tippet entre 0,28mm e 0,32mm.

Ao fim da pescaria, já começando as conversas sobre o retorno em 2014, a tradicional foto com os amigos pescadores.

Grupo de amigos pescadores. Foto: Guias Loop Camp

domingo, 21 de abril de 2013

ABRINDO A TEMPORADA 2013 - PROJETO PIRAPITINGA


Texto: Leandro Vitorino
Fotos: Arquivo GO FLY

PIRAPITINGA: uma das espécies mais técnicas da pesca com mosca brasileira. Foto: Leandro Vitorino
     “É pau, é pedra, é o fim do caminho... É um resto de toco, é um toco sozinho... São as águas de março fechando o verão... É a promessa de vida no teu coração”- A celebre música de Tom Jobim “Águas de Março” retrata fielmente a “Enchente de São José”. Inspirada nesse momento tão valioso ao nosso cerrado, veio à luz a Stellinha, a mais nova integrante da família GO FLY. A Stellinha, para quem ainda não conhece, é a filhinha do amigo Kelven que nasceu recentemente e é pra ela que dedico essa matéria.

ALGUMAS FOTOS DAS ÁREAS MONITORADAS PELO PROJETO:

CERRADO RUPESTRE E CAMPOS ALTOS. Foto: Leandro Vitorino
SERIEMA. Foto: Leandro Vitorino
FALCÃO AMERICANO NOS CAMPOS ABERTOS DO CERRADO.  Foto: Leandro Vitorino
CERRADO RUPESTRE. Foto: Leandro Vitorino
Foto: Leandro Vitorino
Foto: Leandro Vitorino
Foto: Leandro Vitorino
CAMPOS LIMPOS - CERRADO. Foto: Leandro Vitorino
     Assim que as águas de São Jose se acalmam, as águas começam a clarear e os rios retornam à sua caixa.

Foto: Leandro Vitorino
RUMO AO TRABALHO DE CAMPO...

ÁGUA MINERAL + MATA CILIAR PRESERVADA + CERRADO = PIRAPITINGA ??. Foto: Leandro Vitorino
     Arrumada minha traia, recebi o amigo Ivo, de São Paulo e fomos realizar o primeiro trabalho de campo de 2013 em áreas do Projeto Pirapitinga.

INTERESSANTE FORMATO DE COLMÉIA DE MARIMBONDO NO CERRADO. Foto: Leandro Vitorino
   
ESPÉCIE DE MARIMBONDO DO CERRADO QUE PRODUZ UMA CERA RÍGIDA PARA CONSTRUIR SUA COLMÉIA EM FORMA DE SINO. Foto: Leandro Vitorino

     Acordar às 5 da manhã é algo rotineiro a um pirapitingueiro que caminhará às vezes mais de 10 quilômetros num ambiente hostil.

BORBOLETA ALMIRANTE, MUITO COMUM NO CERRADO. Foto: Leandro Vitorino 
     Observar a fauna, sentir o cheiro do mato, identificar os insetos e compreender as mudanças na cadeia alimentar que se altera em cada trecho de rio é um dos privilégios que a pesca com mosca da pirapitinga oferece ao mosqueiro de alma.

SERIEMA, EXPERT CAÇADORA DE COBRAS E INSETOS. Foto: Leandro Vitorino
     Definiria a pirapitinga como um peixe “bruto, rústico e sistemático”, sempre desconfiado e que não permite erros do mosqueiro. Escolher a mosca apropriada, fazer uma apresentação correta e no lugar certo dá ao mosqueiro uma única chance de fisgar uma pirapitinga de respeito. Basta uma abordagem errada do ponto, ou uma fisgada incorreta, para que essa chance se dissolva. Só não chega a ser frustrante porque o ambiente é tão paradisíaco que não permite que esse sentimento aflore no pirapitingueiro.

CANION EM RIO DO CERRADO. Foto: Leandro Vitorino
MOSCAS GO FLY, DA ESQUERDA PRA DIREITA: 1-CIGARRINHA DO CAMPO; 2-YELLOW SALLY; 3-TANAJURA; 4-GAFANHOTO; 5-POUCA-FAMÍLIA; 6-ALELUIA; 7-LIBÉLULA. Foto: Leandro Vitorino

    O turbilhonamento da água deixava a mosca menos visível à pirapitinga dentro do corredor de alimentação principal e a rapidez da correnteza reduzia o período que a mosca derivava no corredor. Foi aí que mudamos de estratégia, passamos a apresentar fora do corredor, em sua lateral, com a água um pouco mais lenta, mais rasa, mais clara e funcionou... 

UM DOS GRANDES MOTIVOS DE SE PERDER UMA PIRAPITINGA DURANTE A BATALHA SE DÁ PELO FATO DO PEIXE ARRANCAR A MOSCA DA BOCA COM A CAUDA. Foto: Luiza Castro
ÀS VEZES A PIRAPITINGA BATE A CAUDA NA LINHA OU NA MOSCA PARA ARRANCÁ-LA, SE A MOSCA NÃO ESTIVER BEM FISGADA DIFICILMENTE O PEIXE IRÁ PARA A MÃO DO MOSQUEIRO. TIPPETS MUITO FINOS TAMBÉM PODEM SER CORTADOS COM A CAUDA DO PEIXE. Foto: Luiza Castro
   Era incrível ver a cena da pirapitinga sair numa velocidade alucinante do corredor de alimentação e explodir na terrestrial. Bacana também foi sentir o quanto estavam fortes, saltadoras e saudáveis.


GAFANHOTO GO FLY. Foto: Leandro Vitorino


Gafanhoto GO FLY (anzol #8 2XL). Foto : IVO

Foto: Luiza Castro
     O amigo Ivo parecia ficar inerte à velocidade dos ataques em tamanha correnteza. 

IVO ESTUDANDO O AMBIENTE MOSQUEIRO. Foto: Leandro Vitorino
    Mas logo que se adaptou, arrancou da água seu troféu do cerrado. Acho que o amigo pôde sentir de verdade o que é ser um pirapitingueiro. Tenho certeza que por muitas noites ele sonhará com a pirapitinga.

APRESENTAÇÃO IDEAL DE UMA TERRESTRIAL PARA A PIRAPITINGA: 1- UP STREAM; 2- NO CORREDOR DE ALIMENTAÇÃO; 3- RENTE À MARGEM (ÁREA DE PATRULHA DO PEIXE); 4- ARREMESSO À FRENTE, FORMANDO UM ÂNGULO MENOR OU IGUAL A 45 GRAUS COM A MARGEM; 5- LEADER CAINDO ESTICADO; 6- MUITA CONCENTRAÇÃO E OLHO NA MOSCA À DERIVA. Foto: Leandro Vitorino
A TANAJURA (IÇÁ) É A TERRESTRIAL MAIS EFICIENTE EM ÁGUAS SEMI-TURVAS. Foto: Leandro Vitorino
A PIRAPITINGA EXPLODE NA TERRESTRIAL E MERGULHA, HORA DE FAZER UMA FISGADA FIRME COM A LINHA E COM A VARA. Foto: Leandro Vitorino
TRAVAR UMA LUTA COM UMA PIRAPITINGA DE RESPEITO COM EQUIPAMENTO #3 DE MOSCA CERTAMENTE PROVOCA MUITA EMOÇÃO. Foto: Leandro Vitorino



BELA BATALHA TRAVADA PELO AMIGO IVO. Foto: Leandro Vitorino

O PIRAPITINGUEIRO INICIANTE GERALMENTE PESCA EM POÇO DE CACHOEIRA, MAS AS GRANDES FÊMEAS TÊM PREFERÊNCIA POR CANIONS OU CORREDORES RASOS PRÓXIMOS A LOCAIS PROTEGIDOS. Foto: Leandro Vitorino
LINDA PIRAPITINGA! SERÁ QUE O IVO JÁ ESTAVA PESCADO? Foto: Leandro Vitorino
ACREDITO QUE A PIRAPITINGA É A ESPÉCIE BRASILEIRA QUE MELHOR REPRESENTA O ESTILO PURISTA DE PESCA COM MOSCA! Foto: Leandro Vitorino
FALTAM PALAVRAS... Foto: Leandro Vitorino
     Lamento não saber explicar o que passa na minha cabeça no momento em que piso em águas pirapitingueiras. Percebo o quanto eu e esse peixe estamos ligados, num relacionamento de total interdependência. Vejo o quanto minha felicidade depende da existência desse peixe e o quanto esse peixe é vulnerável e necessita de proteção. Tento conhecer o seu comportamento, estudo seu ambiente, mergulho em suas águas, olho dentro dos olhos desse peixe e sinto uma profunda admiração e respeito.

OBSERVANDO O AMBIENTE:

PEQUENA ESPÉCIE DE ORQUÍDEA NA MATA CILIAR. Foto: Leandro Vitorino
NINFA DE LOUVA-DEUS. Foto: Leandro Vitorino
NINFA DE GAFANHOTO NA BEIRA DO RIO. Foto: Leandro Vitorino
MASSA DE OVOS DE FORMIGA-LEÃO (DOBSONFLY) EM FOLHAGEM ACIMA DA ÁGUA. Foto: Leandro Vitorino
BORBOLETAS SABOREANDO O SAL MINERAL NA PRAIA DE UM RIO DO CERRADO. Foto: Leandro Vitorino
CÓPULA DE DONZELINHAS (DAMSELFLY) NA MARGEM DO RIO. Foto: Leandro Vitorino
ARIRAMBA, PÁSSARO INSETÍVORO QUE HABITA MATAS CILIARES. Foto: Leandro Vitorino
ACARÁ-AZUL, CICLÍDEO ENDÊMICO DA CABECEIRA DA BACIA DO TOCANTINS, VIGIANDO SEUS FILHOTES. Foto: Leandro Vitorino 
CHORA-CHUVA PRETO. Foto: Leandro Vitorino
CASAL DE SAÍRA-AMARELA. Foto: Leandro Vitorino
MARTIM-PESCADOR-GRANDE EM MATA CILIAR DO CERRADO. Foto: Leandro Vitorino
MARTIM-PESCADOR-PEQUENO. Foto: Leandro Vitorino 
     Depois de vários anos de perseguição através de abate indiscriminado, bombas, desmatamentos, agrotóxicos, redes e tarrafas, esse animal fascinante pode descansar um pouco dentro das áreas do projeto, pelo menos enquanto o GO FLY existir...



     Deixo aqui impresso nessas imagens uma parte de nós... um pedaço de sentimento... uma lasca do nosso espírito... um pingo do nosso suor... que, assim como essas pirapitingas, lutamos por nossa existência.... VIDA LONGA AO GO FLY...

Att,
Leandro Vitorino

quinta-feira, 28 de março de 2013

SÉTIMA CLÍNICA GO FLY DE PESCA COM MOSCA


Queridos amigos,
mais uma vez o GO FLY e a ABPM-GOIÁS agradece a presença de cada um de vocês em nossa clínica de arremesso.
Esteve presente em nossa clínica 22 pessoas de grande carisma e que tem a mosca correndo em suas veias.
Esperamos que a clínica tenha sido proveitosa para todos, tanto para os iniciantes quanto para os veteranos.
Grande abraço a todos!
GO FLY