terça-feira, 13 de abril de 2010

Kid e Kensuke vêm ao encontro do Gofly em Pirenópolis.

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     Há algum tempo, alguns amantes do vadeio vem expressando o desejo de visitar o cerrado goiano e conhecer nossas belezas protegidas. Poucos pescadores sabem que, no Brasil, um dos melhores pesqueiros para a prática desse estilo de pesca com mosca, encontra-se cravado no solo goiano.
   No último fim de semana do mês de março, tivemos uma surpresa agradável: grande parte da equipe GO FLY foi anfitriã dos amigos Kid e Kensuke. Cercado pelo mais puro cerrado, esse encontro marcou para sempre a vida de todos os participantes, estacados pelos mais nobres sentimentos mosqueiros: a amizade e o abraço caloroso à natureza.
   

Kid e Kensuke
      Eu, Herik, Vitão, Rafa e o experiente Alencar chegamos a Piri na noite de sexta-feira (26/03/2010), lá recebendo o amigo KID. Kensuke chegaria apenas no outro dia cedo (sábado). Fomos ao centro histórico da cidade das pedras para confraternizar, apreciar um aperitivo e jantar. Após o bom papo e muitas risadas traçamos a estratégia de vadeio do dia seguinte. Pelas condições de chuva, em plena enchente de São José, as cabeceiras de rio protegidas por colinas rochosas permanece mais limpas, mesmo com as chuvas, permitindo, assim, o vadeio.
     A noite foi de muita garoa e o dia amanheceu com muita neblina. Apesar do clima, o entusiasmo dos mosqueiros era total. Herik, Vitão, Rafa e Alencar partiriam às 6:00 hs para tentar as pirapitingas e lambaris exóticos. Enquanto isso, eu e o KID aguardávamos a chegada do amigo Kensuke às 9:20 hs para só então irmos pescar. Quando encontramos Kensuke, minha mochila já estava abastecida com nossas refeições do dia.


      Foi muito bom conhecer o amigo Kensuke e ver a sua disposição, vindo de tão longe (Rio de Janeiro) para conhecer a equipe GO FLY e o vadeio pelas áreas de instalação do Projeto Pirapitinga-do-Sul.


       Partimos direto para o rio para tentar algumas pirapitingas. Pesquei com equipo 3, enquanto Kid e Kensuke usavam 2 e 4, respectivamente. Utilizei um leader cônico montado  de 9’ de comprimento, com tippet 0,20 mm de composição mista (fluocarbon/nylon).
    

     Mesmo não sendo o preferível, acabamos optando por descer o rio, já que o rio estava um pouco cheio e veloz, o que dificultaria o upstream, uma fez que a correnteza é bem forte e suas margens quase não permitem a caminhada. 


      Logo nos primeiros passos uma pequena pirapitinga deu as caras na minha Royal Wulff. Isso foi um bom sinal para saber que a desova de dezembro foi efetiva e as jovens pirapitingas estão espertas e sadias.

Pirapitinga de aproximadamente 100 dias

      Ainda pela manhã o amigo Kid teve uma grande luta com uma boa pirapitinga. Mesmo conhecendo a força dos grandes peixes, como o tucunaré, o tarpon e o dourado, Kid se rendeu a magia da pirapitinga, aflorando gritos e vibrações que contagiou os colegas. Enquanto Kensuke filmava toda a cena, corri com meu net para apanhar a pirapitinga. Depois de tomar um drible daquele Brycon, encestei a danada. Após abraços e comemorações percebemos que a pirapitinga não estava mais no puçá, pois havia escapado por um furo em sua rede. Foi um baque total da equipe, me senti triste e responsável por aquela perda, pois nem mesmo pude fotografar a linda pirapitinga ao lado do amigo Kid que fazia sua estréia com aquela espécie. Ainda bem que Kid e kensuke me confortaram com a frase “caugth and released”.

                                                        Kid e pirapitinga em ação

     Depois de superar a frustração da perda continuamos o vadeio e logo abaixo a vara de bambu #4 (by Beto Saldanha) do amigo Kensuke vergou inteira na batalha com uma bela pirapitinga. Devidamente fotografada e apreciada, a danada voltou para água com muita saúde. 



      Brincamos um pouco com os “lambaris enferrujados” que atacavam ferozmente nossas dry flies (anzol 16-18). Já com o sol alto as ações das pirapitingas desapareceram, mesmo com boas apresentações e constantes trocas das moscas. Só no fim de tarde que fisguei mais uma pirapitinga.

     
     A paisagem estonteante e a observação dos insetos aquáticos e terrestres nos distraíram e recompensaram a falta de ações.


      Passamos pelo encontro com o rio São João, cercados por belas montanhas e cânions escorregadios. Ao final do dia ainda pegamos uma forte e passageira chuva, mas logo depois o sol incandesceu.


     Foram 6 km de caminhada em pedras energizadas pelo espírito aventureiro dos mosqueiros.

     Hellgramite, ninfa da Dobsonfly.

                                                                       
Mina d'água

       Após o término do primeiro dia de pescaria, retornamos à casa em Piri e encontramos o outro grupo de mosqueiros felizes da vida, satisfeitos, com mais de 30 lambaris-largos (Astyanax elachyleps) capturados. A alegria já era de se esperar, pois o “Largo” não é qualquer lambari, é simplesmente o maior dos lambaris. O largo é robusto, forte, ataca muito bem as moscas secas, proporcionando uma boa briga com equipamento levíssimo.

     
     Depois do jantar, muito papo de mosqueiro e histórias fabulosas! Os amigos Kid e Kensuke demonstraram muito conhecimento técnico e nos contaram um pouco de suas experiências vividas, o que contribuiu para o aprendizado de todos. E como sempre o Alencar zoando com todos da turma. Não perdoou ninguém. Apesar dos seus anos de experiência, parece que ainda é um menino! O Rafa, pra acalmar o seu vício, ainda atou algumas ninfas antes de dormir. 


      A noite chuvosa não desanimou os mosqueiros. Eu, Kid e Vitão fizemos novamente o mesmo percurso do dia anterior, enquanto Kensuke fora guiado pelo grupo do Rafa, Herik e  Alencar em outro trecho mais curto, abaixo do nosso.


      Ao chegar vimos que o rio havia subido e que sua água estava ainda mais escura. Como era de se esperar as ações foram mínimas, apenas o Vitão – também debutante na pescaria da pirapitinga – brigou com um exemplar no poço da cachoeira Araras,  mas foi perdida. Neste tipo de pesca, o peixe sempre está na vantagem.

     
     Mesmo sem peixes na linha descemos o rio casteando e afinando nossa técnica. Histórias incríveis foram criadas, até a lenda do “Pirinopanda” foi inventada. Essa eu vou deixar para o Vitão e Kid contarem.


      Quando voltamos pra casa, Kensuke já havia partido de Piri. Rafa nos contou que o nosso convidado ficara muito satisfeito com a captura de uma boa pirapitinga e com os vários lambaris: largos; saltadores (Bryconops caudomaculatus) e de ferrão (Jupiaba apenima). Todos estes com mosca seca. Sem falar que ainda lutou com duas boas pirapitingas que quebraram seu tippet. 


       Usando todas as suas artimanhas de anos de vadeio, Kensuke se mostrou muito inteligente ao saber utilizar técnicas variadas apropriadas para cada ocasião específica, como o lastreio do tippet em locais profundos e turbulentos. Vimos, mais uma vez, o quanto a pirapitinga gosta da água “brava”.

      
Rafa também foi presenteado com uma boa pirapitinga:

      
    Herik e Alencar também vergaram suas varas leves com os lambaris-largos. Como diria o amigo Rafa: “foi cada lambari-largo de encher a mão!”. 



      
     KID Ocelos e Kensuke Matsumoto serão para sempre lembrados pela equipe GO FLY. Com simplicidade, carisma e técnica deixaram sua marca em nosso paraíso preservado. Foram companhias agradabilíssimas e enfrentaram muito bem o desafio de capturar a pirapitinga no cerradão goiano em plena enchente de São José.


    Todos estão de parabéns pelo coleguismo e pela sincera amizade que pudemos compartilhar!
    Até a próxima caminhada
    GO FLY !!!     

 Dica técnica para montagem do líder:

    A linha de fluocarbon “pura” reduz muito a sua resistência quando o seu diâmetro é muito baixo, por isso quando for utilizar linhas de fluocarbon < 0,30 mm, para confeccionar o líder, dê preferência por linhas de composição mista (fluocarbon/nylon), pois possuem boa resistência à tensão (nylon) e abrasão (fluocarbon), preservando também a “hidrotransparência” característica do fluocarbon. Uso a linha da marca ASSO, modelo ULTRA.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

3º Encontro de atado GoFly.

 Foi com grande alegria e aproveitamento técnico-cultural que realizamos este encontro que superou nossas expectativas. Contando com vários amantes do flyfishing do estado de Goiás, este foi o mais volumoso encontro dos mosqueiros da equipe GO FLY, que a cada dia se fortalece e adquire mais integrante. Pescadores experientes como o amigo Alencar e outros recém iniciados na modalidade foram igualmente ouvidos e respeitados. Discussões sobre o hitórico do fly pelo mundo e a sua atual situação no Brasil foi muito interessante para compreendermos a filosofia dessa encantadora modalidade e para que não adquiramos uma mentalidade que agrida ou desperdice o potencial brasileiro para a pesca com mosca.
 Pela manhã realizamos a clínica de atado, após, fizemos um laboratório na piscina, demonstrando como trabalhar bem um Popper, Clouser-minow e outros streamers. As características das linhas Floating (flutuantes) e Sinking (afundantes) também foram demonstradas, passando antes pelos principais nós utilizados na montagem de um líder. 
Interrompidos por uma deliciosa picanha na brasa, trocamos experiências pessoais e todos fizeram suas colocações de forma democrática. Alguns falaram de suas preferências de equipamentos, peixes, nós, arremessos e moscas, outros dissertaram relatos de pescarias surpreendentes. Brindes foram distribuídos para todos os presentes.
Na parte da tarde foi realizada uma clínica de arremesso, com demonstrações úteis para iniciantes e veteranos da modalidade do fly. Em meio a tanta informação de qualidade, o dia passou rapidamente e no final da tarde ficou evidente o quanto esse encontro acrescentou a todos, seja para aprimorar técnicas, seja para “atar” nossa amizade e tornar o fly mais forte. 

     Mais detalhes sobre a estação de atado:

       Iniciamos com uma mesa redonda de atado onde foi apresentadas moscas de grande eficiência para o flyfishing em nossa região, visando às principais estrelas do nosso cerrado: o Tucunaré e a pirapitinga do sul, peixes de comportamentos distintos e que exigem diferentes técnicas para sua captura. O tucunaré é nosso anfitrião dos lagos e represas, mais comumente pescado na pesca embarcada, enquanto a pirapitinga é nossa princesa das correntezas na pesca desembarcada. A gama de técnicas de arremessos e atado exigidos por esses dois peixes nos estimula a aperfeiçoar nossas estratégias de pesca, que se inicia na mesa de atado e termina com o peixe na mão, sendo devolvido à água. Entre esses dois acontecimentos um grande universo foi criado e tem se desenvolvido há séculos, entrelaçando relações saudáveis entre homem e natureza. 
Para a pesca de vadeio em pequenos rios e riachos, Leandro Vitorino apresentou um passo a passo do atado do inseto adulto da Mayfly (fase terrestre), que também possui uma fase aquática e faz parte do cardápio alimentar de peixes insetívoros de pequeno e médio porte em vários lugares do mundo. Outras variações de atado dessa mosca também foram colocadas por outros colegas.
 
 

 Outra excelente mosca para o vadeio apresentada por Rafael Pacheco foi a Hellgramite (fase aquática), ninfa da Formiga-Leão (fase terrestre), um inseto extremamente predador em seus dois ciclos de vida, presente em várias regiões do Brasil. Apesar da aparência bizarra é muito apreciada pelos peixes. O amigo Rafa se empenha em adaptar o atado  dessa mosca a partir das técnicas de atado das consagradas “stonefly”, para aumentar o índice de captura em nossas pescarias, fazendo com que aumente ainda mais nossa ansiedade no aguardo pelo início da temporada de pirapitingas de 2010.
 
  
No estado de Goiás estão presentes três espécies nativas de tucunarés, o azul, o amarelo e o pitanga, colocados em ordem decrescente de tamanho, porém de crescente agressividade.
Os pescadores Cleiton (Nuclel) e Érick coordenaram brilhantemente o atado da Clouser-minow, uma das moscas que lideram o ranking da preferência nacional quando o assunto é tucunarés. Os mínimos detalhes dessa isca foram muito bem apresentados, deixando o seu atado ao alcance de qualquer mosqueiro, independente do seu nível de evolução técnica.

 
  

Em meio a essa proveitosa interatividade, posicionamos o estado de Goiás no cenário brasileiro de pesca com mosca.
Convidamos todos os mosqueiros do Brasil a participarem dos eventos da GO FLY que serão postados em nosso blog antecipadamente.

Aguardamos o próximo encontro!


Equipe GO FLY




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O imperador de anil analisado nas duas faces da lâmina d’água.

      O IMPÉRIO:
Há algum tempo, grande parte do cerrado do centro-oeste brasileiro se transformou em um mar de águas azuis com a construção do maior lago artificial das Américas, ocorrendo uma drástica alteração do seu cenário e de seus habitantes. O manto verde que cobria os vales, após ser inundado, serviu de matéria orgânica para compor a base de uma nova cadeia alimentar que se formava.

         Locais onde, outrora, eram habitados por répteis e mamíferos terrestres se transformaram em território de caça para tucunarés, bicudas e bagrídeos, além de servirem de morada para uma infinidade de outros seres aquáticos.
Logo após a formação do lago da Serra da Mesa muitos assistiram a uma explosão de vida aquática. Pacus, matrinxâs, piabanhas e piaus se esbaldavam com tanta fartura de alimento. Logo, os tucunarés nativos se reproduziram em grande escala, disseminaram e exigiram o seu território. Eram cardumes e mais cardumes de sumir de vista.
Com a deterioração e consumo da vegetação alagada, o combustível alimentar foi se esgotando, causando um emagrecimento da pirâmide alimentar dos peixes. Além disso, a enorme pressão de pesca também contribuiu para a redução acelerada dos estoques pesqueiros.
Há alguns anos, o lago vinha sofrendo uma queda importante do seu nível de água, distanciando a mata ciliar de sua margem, alcançando até trinta metros de distância de solo descoberto, expondo animais terrestres a caçadores ilegais quando estes iam beber água.
No último ano, por exigências políticas, o lago voltou a subir e já toca sua mata ciliar, fornecendo sombra e alimento para os peixes, com previsão, para os próximos anos, de restauração de sua fauna aquática e terrestre.
Assim, se os pescadores praticarem a pesca responsável, poderão vivenciar novamente tempos de glória. A população consciente e os guias capacitados pelo Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora (PNDPA) pedem colaboração a todos que visitarem o lago nessa nova fase de esperança.
As incríveis ações do seu imperador:
Nossa expedição ao lago foi feita no mês de novembro e, para escapar um pouco das chuvas e ventos, realizamos nossa pescaria em locais mais abrigados. Exploramos várias grotas, pontas e ilhas protegidas por altas colinas que as circundavam.
No início da manhã e no final da tarde tivemos ações por todos os lados e profundidades, mas quando o sol estava alto os tucunarés partiam para o fundo ou se abrigavam nas sombras das sambaíbas (principal árvore que compunha as margens). Para isso, nossa tralha foi composta de iscas artificiais que trabalhavam em profundidades diferentes.















 Pesquei na maior parte do tempo com fly, utilizando equipamentos #5, #7 e #9, com linhas WF-F e, como iscas, poppers, divers, deceivers e clouser minnow, entre outras. A transparência da água era tanta que mesmo em drop-offs abaixo dos cinco metros era possível ver a subida dos grandes azuis ao ataque das iscas na superfície.
Ao mesmo tempo em que a transparência da água favorecia a visualização da mosca pelos peixes que estavam mais ao fundo, também exigia arremessos mais longos (acima dos vinte metros), pois evitava que os peixes nos vissem durante a subida à superfície.
Encontramos alguns cardumes de bons tucunarés alvoroçados. Acreditem se quiser: alguns “tucunas” chegaram a acompanhar a movimentação da mosca no ar, nadando pra lá e pra cá e, quando a mosca tocava na água, era rapidamente atacada. A captura de um azul de aproximadamente 3 quilos no meu equipamento #5 me deixou meio apreensivo, mas a ausência de estruturas submersas, naquele local, me ajudou a trabalhar bem o peixe.
Alguns grotões eram literalmente dominados por um único casal de tucunarés azuis, apenas mais alguns tricks se escondiam na vegetação das margens.
Uma cena que deixou todos da embarcação boquiabertos foi ver, ao lado do barco, um pequeno tucunaré que brigava na isca do meu companheiro, Saymon Catoira, ser arrancado dos anzóis por um enorme azulão. Isso me deixou ainda mais a vontade para substituir meus deceivers por poppers e poder sentir as explosões na superfície. Tucunarés com até cinco quilos atacaram com astúcia as moscas trabalhadas com uma maior velocidade.
O Popper era apresentado nas sombras das sambaíbas semi-submersas; quando não era atacado logo nos primeiros toques, ainda na sombra, um risco azul de anil rasgava a água enfurecido e, na maioria das vezes, encharutava o pequeno Popper. O grande azul interrompia o “ploc” rítmico da isca com uma bocada certeira, levantando água para todos os lados, firmando assim, o seu imperialismo sobre a grota. Poppers completamente destruídos e com anzóis abertos foram o que restou das batalhas com os fortes tucunarés que provaram seu sabor. São essas e outras qualidades que fazem do tucunaré o ciclídeo de maior importância na pesca esportiva mundial.
Visitamos alguns braços do lago nos quais desaguavam lindas cachoeiras, locais que ofereciam uma maior oxigenação e eram infestados por lambaris. Apesar de esses locais possuírem uma água mais fria, o que não costuma agradar muito os tucunarés, alguns cardumes acabavam invadindo esses recantos fartos de presas “fáceis”. Soubemos aproveitar muito bem a visitação dos azuis a esse banquete, capturando alguns belos tucunarés.
Traíras, bicudas e até o exótico jacundá-açú rechearam ainda mais nossa aventura. Vários dublês foram embarcados. Quando os tucunarés enroscavam nas estruturas submersas, mergulhava para desprendê-los e era uma boa oportunidade de dar uma espiada no cardume.
Num final de tarde, um imenso cardume de tucunarés fez pulsar o restinho de adrenalina que ainda restava em nossas veias. Eu e meu amigo tínhamos nada menos que cinco bons tucunarés engatados ao mesmo tempo na ponta de nossas linhas.
Nos últimos minutos da luz do dia, Saymon brigou com um enorme peixe que atacou sua Birutinha J, verde limão. Era mais de cinco quilos de tucunaré azul levando muita linha para o fundo da grota. Em alguns minutos o grande imperador de anil foi dominado e encheu os olhos do amigo de tanta satisfação. Com todo o seu merecido respeito, o grande azul retornou ao seu império. Fiquei tão encantado com o peixe que ainda fiz um mergulho para apreciá-lo embaixo d’água, e lá estava ele, descansando ao lado de uma pedra, se recuperando da batalha. Realmente, o tamanho da sua silhueta fazia qualquer outro tucunaré respeitar o dono daquela grota quando a visitasse.
O mergulho no Império de anil:
A Serra da Mesa está situada na região centro-oeste do Brasil, apresentando uma temperatura mais alta do que o sudeste, permitindo que os tucunarés se reproduzam praticamente o ano inteiro, com uma maior intensidade durante a primavera, entre os meses de setembro a novembro. A alta temperatura de suas águas mantém o metabolismo do peixe mais acelerado, um dos motivos que fazem os tucunarés da região caçar mais intensamente e ter um desenvolvimento mais rápido, sendo possível observar tucunarés azuis de até dois quilos com sinais de imaturidade sexual, como as pintas brancas pelo corpo, face e nadadeira dorsal e caudal, erroneamente chamado de tucunaré paca. O territorialismo dos tucunarés é tão grande que presenciei um casal de grandes azuis defendendo um tronco que ainda nem sequer haviam postado seus ovos.
Cardumes imensos encostavam-se às ilhas no fim de tarde para fazer sua última caçada do dia; ficavam tão distraídos com a caça que chegavam a quase tocar a lente da minha câmera de mergulho, sem importarem com minha presença.
O “vôo” rasante das arraias-fogo engrandece ainda mais aquele paraíso. São poucos segundos em que toda a beleza do mundo parece estar concentrada em um só ponto da Terra.
Dicas técnicas:
Os tucunarés nativos da região da Serra da Mesa preservam uma agressividade impressionante, possuindo uma menor seletividade as iscas, quando comparado com os tucunarés do sudeste brasileiro, mas ficam ariscos quando enxergam a embarcação.
Para melhorar o casting e conseguir arremessos mais longos das moscas que apresentam uma maior resistência no ar, como poppers e streamers mais volumosos, é recomendável utilizar um leader mais curto.
Atei a seguinte montagem do leader cônico: 80 cm de nylon 0,60 mm, 50 cm de nylon 0,50 mm e tippet de 40 cm de fluorcarbono 0,40 mm, formando assim, um leader de 1,7 metros de comprimento.
É imprescindível que o mosqueiro domine o movimento de double roll ou puxada dupla, pois esse é um movimento que permite o pescador realizar lançamentos mais longos. A vara em posição mais lateralizada também facilita o back cast quando temos o vento nas costas.
Outras dicas:
O município de Niquelândia é o maior do estado de Goiás e cerca boa parte do lago; ao lado, temos o município de Colinas do Sul, que possui bons pontos. A Serra Negra também é uma ótima opção do lago. Existem várias pousadas na região, podendo ser pesquisadas pela internet, mas, por opção própria, levamos a nossa embarcação e acampamos em Colinas do Sul. Fomos conduzidos por um bom guia local, que conhece muito bem a região e foi fundamental para o sucesso da pescaria. Seu nome é Edemilson, mais conhecido como “Pé na cova” (62-96574552), treinado pelo PNDPA e que merece o reconhecimento pela sua companhia agradável e pelo comportamento respeitoso com a natureza.
Fotos: Saymon Catoira


Obrigado pela visita!
Equipe Gofly