sexta-feira, 30 de setembro de 2016

AZULÕES NO VADEO (represas do Sudeste e Centro-Oeste)

TEXTO: Leandro Vitorino
FOTOS: Arquivo GO FLY 

Leandro Vitorino e um belo Tucunaré azulão, fisgado com vara #4, na mosca, e com os pés na água. Foto: Luiza Dornfeld.
Há cinco décadas, a pesca com mosca de vadeo, ou pescar caminhando, era uma prática quase que exclusiva da pesca das trutas e de algumas outras poucas espécies, mesmo porque, nessa época, o fly ainda era uma modalidade “embrionária” no Brasil.

"Filhoteira de azulão". Foto: Leandro Vitorino
Fêmea de azul cuidando sozinha de sua prole, provavelmente o macho foi vítima de pescadores ou caçadores-sub. Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Leandro Vitorino
A chegada da pesca com mosca no Brasil foi um desembarque no paraíso dos peixes esportivos, abrindo um gigantesco leque de opções para se praticar, remodelar e descobrir novas maneiras para que o flyfishing fosse mais bem aproveitado para cada espécie e situação de pesca aqui presente. Nossos primeiros mosqueiros logo já foram descobrindo o grande potencial mosqueiro de nossas espécies. Trutas introduzidas nos rios de montanhas e lambaris talvez tenham sido os primeiros alvos desses mosqueiros, mas não tardou para experimentarem outras espécies tupiniquins, entre elas os afamados tucunarés, já que cada vez mais essa espécie se popularizava na pesca esportiva.

Macho de tucunaré azul no inicio do amadurecimento sexual. Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Leandro Vitorino.
Sérgio na labuta com um azul de respeito no Rio Grande. Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Leandro Vitorino.
A pesca de vadeo dentro da água evita os impactos do peixe na embarcação e no barranco, liberando o peixe de forma mais saudável. Foto: Leandro Vitorino.
Sérgio e seu belo azul. Foto: Leandro Vitorino.
Soltura saudável.  Foto: Leandro Vitorino.
A popularização do tucunaré azul (C. piquiti) e amarelo (C. Kelberi) pelo país ocorreu em consequência da expansão do número de represas hidroelétricas, principalmente nas regiões centro-oeste e sudeste, onde estas espécies foram introduzidas, encontrando clima e ambiente propício. Além disso, essas regiões estão numa localização de boa acessibilidade para muitos brasileiros. A região sul, pelo seu clima mais frio, os tucunarés não se reproduziram de forma tão significativa. Mais recentemente, na última década, o nordeste também entrou na “febre dos tucunarés”, também embalados pelas jovens represas de clima tropical, onde os tucunarés pinimas e amarelos tornaram-se as estrelas nordestinas.


Irerês. Foto: Leandro Vitorino.
Marreca-cabocla. Foto: Leandro Vitorino.
Garça-branca, companhia nas beiradas das represas.  Foto: Leandro Vitorino.
Garça-boieira. Foto: Leandro Vitorino.
Marreca Irerê. Foto: Leandro Vitorino.
Pernilongo à esquerda e cabeça-seca à direita. Foto: Leandro Vitorino. 
Jaçanã macho. Foto: Leandro Vitorino.
Uma das ilhas do Rio Grande. Foto: Leandro Vitorino. 
Independente da modalidade, o tucunaré azul talvez seja a espécie mais pescada esportivamente no Brasil, tratando-se de águas interiores. Nesse grande universo, desenvolveram-se inúmeras embarcações voltadas para a pesca: lanchas e caiaques foram as principais. Apesar disso, o pescar caminhando nunca se desligou do pescador, mesmo do mais moderno, seja pelo prazer de se pescar curtindo a água aos pés, assimilando todo conhecimento da natureza que é oferecido nesse estilo, seja pelos instintos mais antigos do homem em seus primórdios.

Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Leandro Vitorino.
Macho de tucuna amarelo. Foto: Leandro Vitorino.
Tucunarés amarelos machos em fase de acasalamento. Foto: Leandro Vitorino. 
Machos de tucuna amarelo à frente e macho de tilápia nilótica ao fundo. Foto: Leandro Vitorino.
 Observando toda imensidão de água das represas hidroelétricas, parece impossível imaginar que uma pesca desembarcada possa aproveitar todo o potencial do local. De fato, a pesca desembarcada tem suas limitações, seja pela menor área de ação do pescador e pelo desgaste físico, por isso é necessário ter aptidão e saber escolher o local mais propício e produtivo para pratica-la. Mas também tem como opção o mosqueiro fazer alguns pontos embarcados e os mais viáveis para o vadeo ele pescar caminhando.
Não tenho dúvida que naqueles locais onde “moram” aqueles azulões “super-velhacos” o fly no vadeo faz toda a diferença. Nesses locais, alguns peixes parecem já conhecer o barulho dos motores de popa e elétrico, já os associando ao perigo. Visto que muitas vezes que estou vadeando por alguns locais passam embarcações com motor elétrico e batendo isca pra todo lado e nada de peixe... e no mesmo local, aproximando-se caminhando sem chamar a atenção, talvez a sorte do pescador seria outra. Isso ocorre porque o vadeo quase não abala a sensação de segurança dos peixes: os casais de azulões são mais desconfiados, mas quando aproximamos de um cardume a farra é garantida.

Serra da Mesa em 2016 passa por uma forte seca. Pescar nesses "paliteiros" exige capricho nos arremessos. Foto: Kenji. 
Vadeo na Serra da Mesa. Foto: Kenji.
Fim de tarde na Serra da Mesa curtindo um vadeo. Foto: Kenji.
Kenji e seu forte azulão da Serra da Mesa, tirado do meio das pauleiras. Foto: Vinícius Pontes.
Em alguns locais selecionados, como pontais com áreas espraiadas que permitem a caminhada pela água, cobrimos uma boa área com nossas moscas, e aquele azulão que parecia ignorar toda e qualquer isca da pesca embarcada, poderá, com uma chance maior, partir embalado para abocanhar a mosca do pescador desembarcado. Os poucos ruídos e o fator surpresa do vadeo associado a um bom arremesso e uma mosca bem trabalhada vão somar os elementos positivos para que o mosqueiro obtenha sucesso no vadeo de azulões. Mesmo com toda essa afiação, acertar um azulão não é fácil, mas com técnica e persistência ele sai.

Capinzais submersos nas margens são ótimos locais de caça para os tucunarés. Foto: Leandro Vitorino.
Verdadeiros labirintos de caça para os tucunas. Foto: Leandro Vitorino. 
Azulão fisgado no andino durante o vadeo. Foto: Leonardo Barbosa.
Forte azulão da Volta Grande. Foto: Leonardo Barbosa.
Nas regiões sudeste e centro-oeste, o tucunaré amarelo fica no raso praticamente o ano inteiro, mas os azulões são mais “nômades”, vagando mais pela represa e ficando no fundo, só costumando elevar sua frequência nas rasuras na primavera e verão, entre agosto à março. Nessa época, a água esquenta, elevando seu metabolismo, deixando-os mais ativos para a alimentação e consequentemente propiciando melhores condições de reprodução. Nesses meses, os cardumes de jovens tucunarés se tornam mais vorazes, os casais de azulões intensificam seu territorialismo, principalmente se estiver defendendo seus ninhos ou prole.

Troncos semi-submersos em áreas espraiadas são excelentes pontos para abordagem no vadeo. Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Luiza Dornfeld.
As águas claras desse jardim submerso de plantas com temperaturas agradáveis para a pesca de vadeo se torna um ambiente bem convidativo a essa pratica.

Alodea ou rabo-de-gato, bastante comuns nas represas do sudeste, servem como locais de refúgio e desova para camarões e pequenos peixes forrageiros. 
Tucunão azul fisgado no gafanhoto GO FLY, sendo trabalhado como popper. Foto: Luiza Dornfeld.
Leandro e seu azulão no vadeo, "gafanhotando" na vara #4. Foto: Luiza Dornfeld.
Azulão no gafanhotão. Foto: Luiza Dornfeld. 
No fim de tarde, os cardumes encostam ainda mais nas margens, abrindo uma janela de oportunidade ao mosqueiro curtir um verdadeiro frenesi de ataques a sua mosca, e pra brindar a sua satisfação de se sentir pescado, o por do sol revela-se com as cores mais bonitas do pincel divino. Junto a esse visual, notasse a mudança do aroma, com um cheiro de vegetação úmida levemente adocicada. Momento de calmaria que agrada o espirito mosqueiro em elevada profundidade.

Incrível tomada de um azulão, chegou até me lembrar os açús amazônicos. Foto: Leandro Vitorino.
Leandro Vitorino e o sonhado azulão. Foto: Luiza Dornfeld.
Tucunaré "Azulão" de 63 cm e 4,3 kg de pura força e beleza. Foto: Luiza Dornfeld.
Enquanto as garças dão meia volta e se aprumam nas margens, o fim de tarde ainda pode nos render um azulão dos sonhos, pois é nesse horário que eles ficam ainda mais territoriais, escolhendo seu tronco que irá repousar a noite. Passar a mosca nas estruturas de “dormitório” é um verdadeiro afronto a sua autoridade. Os azulões do sudeste são mais tímidos e não se apresentam tanto na superfície, algumas vezes apenas seguem a mosca, às vezes é possível ver aquela enorme marola perseguindo da mosca, e quando decidem tomar a mosca não costumam estourar. Pela tomada da mosca, parece ser só mais um tucuna qualquer, mas na bruta arrancada passamos a elevar o respeito pela “encrenca” que está do outro lado da linha. Depois da vigorosa batalha, encosta aquele azulão “parrudo”, “quadrado” ... um azul anil intensificado pela primavera reprodutiva... paro aqui a descrição do momento, pois são atos para serem curtidos e impossível de serem descritos na íntegra, tamanha a emoção envolvida. Só nos resta registrar uma foto e devolver o imponente azulão as águas de seu domínio.

Dizer mais o quê depois de já se sentir pescado? Foto: Leandro Vitorino.
Deixo como mensagem nessa matéria a importância de se preservar nossos azulões e meu estímulo aos mosqueiros a praticar a pesca de vadeo sempre que possível, independente da espécie, pois realmente é bem emocionante e saudável.

EQUIPAMENTOS:

VARAS:

No vadeo de tucunas costumo usar equipos mais leves do que da pesca embarcada. Tenho costume de usar equipamentos de #4 a #7 no sudeste, pontualmente, recomendo um #6 pro vadeo e pra pesca embarcada de #6 a #8. As varas de ação rápida entre 8’a 9’de comprimento são as que mais me sinto confortável em utilizar.

LINHAS E LEADERES:

Uso apenas linhas WF – flutuantes com leaderes entre 1,8 a 2,5 metros, dependendo do tamanho da mosca e condições de vento, sendo: streamers menores = leader maior ou streamers maiores = leaderes mais curtos. Faço leaders compostos por 3 partes: 0,50 mm + 0,40 mm + 0,30 mm (tippet). Pra Serra da Mesa e Lago Angigal recomenda-se leaderes de duas partes, com tippet 0,40 mm. Caso utilize streamers pequenos, pode-se prolongar o leader para 2,5 metros e testar seu equilíbrio no arremesso. Para se aventurar em usar leaderes mais longos a técnica do arremesso deve estar bem apurada.

MOSCAS:

Minhas moscas preferidas pro vadeo de tucunas: leves e eficientes. Foto: Leandro Vitorino. 
Os streamers já se consagraram como a mosca mais utilizada para os tucunarés, pois elas imitam de forma genérica os peixes forrageiros do qual os tucunarés se alimentam. Mas, como um predador oportunista que é, os tucunas não dispensam uma terrestrial passando pelo seu território.

Andino deceiver com cabeça muddler na coloração que tenho maior afinidade. Foto: Leandro Vitorino.
Os streamers de minha preferencia pessoal são os pequenos andinos de cores mais claras e os minnows de fibras sintéticas, também de cores claras e brilho. Vejo relatos de vários mosqueiros obtendo sucesso com outros tipos de streamers e até camarões. Enfim, para tucunas inúmeras moscas podem ser efetivas.

Gafanhotões GO FLY #2, colocado uma pequena tira de EVA na cabeça pra dar maior volume a cabeça e poppar melhor. Foto: Leandro Vitorino. 

Como terrestriais, já utilizei com efetividade até ratos, mas o meu xodó e super-apreciado pelos tucunas é o Gafanhoto GO FLY atado em anzol #4 ou #2 (2XL ou 3XL). Vejo como vantagens nesse gafanhotão a durabilidade, equilíbrio e a possibilidade de atrair o tucunaré tanto por sua aparência realística quanto por poder ser trabalhado como popper. Atualmente nem utilizo mais os poppers tradicionais. A tomada do azulão no gafanhoto é bem empolgante, recomendo aos tucuneiros experimentá-lo. A receita do gafanhoto GO FLY e outras moscas efetiva para inúmeros outros peixes encontra-se disponível em nosso livro.        

LIVRO GO FLY DE PESCA COM MOSCA:


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ABRAÇOS!
FAMÍLIA GO FLY 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

DOURADÕES E PIRAPUTANGAS DO CERRADÃO MATO-GROSSENSE

Texto: Leandro Vitorino
Fotos: Arquivo GO FLY
Esplendor dourado em seu momento máximo. Foto: Leandro Vitorino.
O Pantanal brasileiro é um nobre bioma de muito reconhecimento nacional e internacional, seja por pescadores ou por amantes da natureza de diversas outras atividades, como fotografia de natureza, flutuação nos rios cristalinos, safaris, etc. Mas, não podemos nos esquecer de que é no cerrado que brotam e correm a maioria dos rios formadores do Pantanal, seja no Mato Grosso ou Mato Grosso do sul.

O elegante voo dos casais das araras-canindé. Foto: Leandro Vitorino.
Alma-de-gato. Foto: Leandro Vitorino
Foto: Leandro Vitorino.
Martim-pescador. Foto: Leandro Vitorino.
Ariramba-de-cauda-ruiva. Foto: Leandro Vitorino.
Aracuã-do-pantanal. Foto: Leandro Vitorino.
Socó-boi. Foto: Leandro Vitorino.
Como um eterno apaixonado pelo cerrado brasileiro, esse rico bioma está constantemente me surpreendendo com suas múltiplas facetas e sua rica biodiversidade. E foi no cerradão do Mato-Grosso, mais precisamente no Rio Manso e Cuiabazinho que eu e meu amigo Kelven Lopes embarcamos numa bela flotada à brasileira, atrás dos dourados e piraputangas.

Ribeirinho no Rio Manso. Foto: Leandro Vitorino.
O local, por si só já vale a viagem, mas pra engrandecer ainda mais nossa aventura mosqueira, tive a honra de ser guiado por duas pessoas de alto nível técnico e boa índole: Robson de Brito encabeçou essa operação de flotadas na região, não demorou muito pra incendiar o grande potencial de seu cunhado Luniel, juntos exploraram o Rio Manso, montando as rotas e organizando a logística para que mosqueiros do mundo inteiro pudessem ver que o Brasil tem mosqueiros empreendedores, não deixando nada a desejar em relação às operações gringas. Fato que muito me orgulhou em ser um mosqueiro brasileiro.

Preparado pra empreitada... Foto: Leandro Vitorino.
Rio Manso. Foto: Leandro Vitorino.
Luniel, super técnico, carismático, empenhado em nos colocar "na cara do gol". Exemplo de respeito a pesca com mosca brasileira! Foto: Leandro Vitorino. 
Amigo Kelven em busca dos dourados. Foto: Leandro Vitorino.
Cravado em pleno cerradão mato-grossense, próximo de Cuiabá, no município de Nobres, essa operação de flotada é, sem dúvida, a maior sacada mosqueira dos últimos tempos, por isso tem ganhado enorme notoriedade entre os mosqueiros.

Mais um pincho no "hot point". Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Robson de Brito.
Foto: Robson de Brito.
Kelven na labuta. Foto: Leandro Vitorino. 

Amigo Kelven e seu dourado. Foto: Leandro Vitorino.
O profissionalismo, a receptividade e o espírito de desbravamento são as marcas registradas dessa operação. Fiquei muito bem hospedado numa linda pousada de ecoturismo, com direito a rio de água transparente para flutuação, repleto de piraputangas, piaus, curimbas, piaparas e alguns dourados. Tudo isso à 200 metros do meu quarto. Alimentação deliciosa, cerveja gelada e um bom papo mosqueiro pra finalizar a noite.

"Porrada na mosca!" Foto: Leandro Vitorino.
Foto: Leandro Vitorino.
Desembarque para pelear com os pés na água. Foto: Leandro Vitorino.
Fúria do Rei. Foto: Leandro Vitorino.
"Barra de ouro" ao encontro do mosqueiro. Foto: Leandro Vitorino. 
Bela pintura e caudas bem formadas são as características dos douradões do Manso. Foto: Leandro Vitorino.
Amigo Kelven feliz com sua bela captura. Foto: Leandro Vitorino.
Dourado: sem dúvida uma das espécies mais cobiçadas pelos mosqueiros a nível mundial. Foto: Leandro Vitorino.
Apenas tomávamos café e jantávamos na pousada, nosso almoço era no rio, durante a flotada: um delicioso frango caipira preparado no capricho pela Dona Miguelina, seguido de seu doce caseiro, essas eram umas das serventias do quintal dessa simplória e sábia senhora... depois duma espichada na rede de alguns minutos. Logo chegava e um cafezinho passado na hora e uma água na cara pra despertar a mosqueirada... Mas também teve dias de saborearmos um suculento Bife Ancho ao ponto, “chique nu úrtimo”...


"Dizer o quê?" Foto: Leandro Vitorino.
Um dos nossos almoços no aprazível quintal da Dona Miguelina. Foto: Leandro Vitorino.
Bom apetite! Foto: Leandro Vitorino.
Amanhecer no Rio Manso. Foto: Leandro Vitorino.
Sinais das fortes cheias da região. Foto: Leandro Vitorino.
Salto do Rei. Foto: Robson de Brito.
Andino, consagrada como a melhor mosca para os salminus. Foto: Robson de Brito.
Mais um dourado na ponta da linha. Foto: Robson de Brito.
Satisfação mosqueira. Foto: Robson de Brito.
Os snaps próprios para fly são leves, facilitam a troca das moscas. Foto: Robson de Brito.
Breve parada para descanso e apreciação do rio. Foto: Leandro Vitorino.


Uma das "corredeiras douradas" do Manso. Foto: Leandro Vitorino.
Meu parceiro kelven já era experimentado no local, por isso tive a sorte de receber boas dicas logo no primeiro dia de flotada, sem contar que nosso guia Luniel, com muita habilidade e inteligência intuitiva, posicionava nosso bote de frente às áreas nobres: cabeças de pedras, entradas e saídas de corredeiras, tudo isso com toda estabilidade e poucos ruídos que nosso bote oferecia. Rapidinho, entendi por que o bote era muito mais eficiente do que as embarcações de alumínio motorizadas naquelas situações. As canoas de alumínio nunca chegariam nos "hot-points" de dourado como os botes, e caso chegassem poderiam ser inseguras ou produzir muito ruído.

Sarã nas margens: ponto típico de piraputangas. Foto: Leandro Vitorino.
Piraputangas, um briconídeo extraordinário. Foto: Leandro Vitorino.
Leandro Vitorino e sua piraputanga do Rio Cuiabazinho. Foto: Kelven Lopes.
Bela piraputanga no streamer. Foto: Kelven Lopes.
Ataque da piraputanga ao gafanhoto GO FLY, coisa linda! Foto: Leandro Vitorino.
Ação em detalhe. Foto: Leandro Vitorino.

Terrestriais e briconídeos são uma combinação perfeita. Foto: Leandro Vitorino.
Kelven e sua saltadeira piraputanga. Foto: Leandro Vitorino.
Com o bote de lona, fazíamos as cabeceiras das corredeiras, mesmo a parte mais rasa, depois, descíamos sem nenhum problema e imediatamente já atacávamos a parte de baixo, sem desperdiçar nenhum ponto. Mesmo com nosso excelente guia nos colocando de “cara para o gol” a captura do dourado exige boa técnica do mosqueiro, afinal o dourado do rio Manso é meio arisco, talvez pela água clara. O arremesso exigia uma certa precisão, para que a mosca passasse no local mais promissor de ataque. A fisgada, feita exclusivamente com a mão da linha, tinha que ser rápida e bem calibrada, para que imediatamente, na primeira corrida alucinante do douradão, não esteja tão travada por completo e arrebentasse.

Macaco-prego na mata ciliar. Foto: Leandro Vitorino.
Capivara. Foto: Leandro Vitorino.
Cardume de douradões e um pacu solitário. Foto: Leandro Vitorino. 
Belo douradinho. Foto: Leandro Vitorino.
Mais um "brigão" dourado do Manso. Foto: Leandro Vitorino.
Ver um douradão na faixa de 10 kg saltando com toda fúria naquela corredeira rasa, reluzindo suas cores vibrantes foi algo fantástico, coisa de encher os olhos e que certamente habitará, eternamente, os pensamentos com nítidas lembranças.


Teve até um belo Pacu pego no trabalho lento do andino no Rio Cuiabazinho... coisa linda de se ver aquele peixe forte e saudável...


No rio Cuiabazinho, com o trabalho lento do andino bem próximo dos sarãs eis que entra um tanque de guerra... Foto: Leandro Vitorino. 
Foto: Leandro Vitorino.
Amigo Kelven e seu forte combatente. Foto: Leandro Vitorino.
Esse pacu legítimo merecia mais um click. Foto: Leandro Vitorino.
Andino bem fisgado. Foto: Leandro Vitorino.
Preparando para a soltura. Foto: Leandro Vitorino.
As piraputangas também deram um show a parte, exigindo uma aproximação silenciosa e uma apresentação precisa do gafanhoto GO FLY rente aos sarãs que tocavam a água. Quando tudo isso ocorria de forma perfeita, era fatal o ataque das explosivas piraputangas, difícil mesmo era desvencilha-las das mandíbulas dos famintos dourados que as atacavam logo em seguida. Cenas de pura selvageria, que só indo lá para ter real ideia desses episódios.


O belo douradão do manso. Foto: Leandro Vitorino.
Andinos amarelos foram os mais produtivos. Foto: Leandro Vitorino.
Mais uma pra registrar o inesquecível momento. Foto: Leandro Vitorino.
Parada pro almoço, debaixo da sombra, saboreando um suculento bife ancho. Foto: Leandro Vitorino.
"Será que tava bão!?". Foto: Leandro Vitorino.
Foram várias passagens inesquecíveis, mas uma delas, em especial, quero relatar: Logo no primeiro dia, começamos a nossa flotada apenas as três horas da tarde. Meu parceiro Kelven, fisgou um lindo dourado, tivemos investidas de outros também, porém sem sucesso. No inicio da noite, quando mal se conseguia enxergar a mosca, iniciou um Hatch intenso de Mayfly, cena típica de Patagônia, mas em pleno rio do cerradão. Na última corredeira antes de chegar em nosso destino final, consegui visualizar uma cabeça de pedra promissora, fiz o pincho e logo nas primeiras puxadas um tranco seco... a fisgada foi automática e a veloz e forte tomada de linha do peixe me impressionou... eis que salta um lindo douradão, reluzindo já as luzes da noite estrelada... a batalha foi intensa... quase vinte minutos de cabo de guerra entraram noite a dentro... o peixe parecia estar “apoitado”... hehe... minha vara rápida de carbono #9 mais parecia uma vara de bamboo... enfim, a sequência de fotos falam por si...

Douradão entrando na boca da noite em pleno hatch de Mayfly. Foto: Kelven Lopes.
Final da batalha desembarcado para facilitar a captura. Foto: Kelven Lopes.
Nosso super-guia Luniel registrava também os bastidores. Foto: Luniel.
Leandro Vitorino e o belo dourado do Manso. Foto: Kelven Lopes.
As cores do rei do rio eram vibrantes e dava pra sentir os batimentos cardíacos do gigante nas minhas mãos. Inesquecível!  Foto: Kelven Lopes.
Vários outros momentos de “adrenalina dourada” foram saboreados, alguns dourados apenas seguindo a mosca, outros rompendo empates de aço de 30 libras com certa facilidade quando eram pegos nas rasuras, locais que os deixavam acuados e extremamente enfurecidos...

Uma pintura de peixe. Último click antes de voltar pra água. Foto: Kelven Lopes.
Fica aqui meu breve relato e minha recomendação dessa operação mosqueira que muito nos orgulha de ser genuinamente brasileira!!!


EQUIPAMENTOS RECOMENDADOS


Foto: Leandro Vitorino.
VARAS:

Vara #6 e #7 de ação moderada para piraputangas;
Varas #8, #9 e #10 de ação rápida para os dourados.

LINHAS:

FLOATING E SINKING TIP, sendo que na maioria do tempo utilizamos a floating, em algumas poucas situações a sinking tip se mostrou mais adequada.

LEADER (1,5 à 1,8 m):

Duas partes: 0.60 mm + 0,50 mm

EMPATE DE AÇO FLEXÍVEL:

De 30 e 40 libras para os dourados.

MOSCAS:


Andino atado em anzol 2/0. Foto: Leandro Vitorino.
Andinos sem sombra de dúvida são os mais produtivos, na ocasião tivemos melhores ações nas cores claras, em especial os amarelos.
Streamers de fibras utilizávamos nas poucas situações de cansaço, afinal pinchar andino o dia inteiro não é nada fácil...
Terrestriais: utilizamos apenas o Gafanhoto Go fly, atados em anzol #4 e #2 (2XL), nas piraputangas, inclusive com alguns belos ataques de dourados, porem rompendo o tippet.


CONTADO PARA OPERAÇÃO:

Com nosso querido e competente amigo Marcos Glueck (Marcão)